Tom Coelho: “Caso Petrobrás corrói imagem do país no cenário internacional”

Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios e tem livros publicados em 17 países. Por sua capacidade de expressão e interpretação dos fatos recentes do país o DIÁRIO resolveu ouvi-lo. Acompanhe:

DIÁRIO – Em seu recente artigo “Os Deveres do Poder Público” você toca em um ponto sensível da sociedade que é a leniência e a omissão. O povo brasileiro era realmente aquele de junho de 2013 que saiu às ruas reivindicando tudo, ou é uma sociedade omissa?

TOM COELHO – Infelizmente, somos uma sociedade passiva. Isso é uma decorrência direta de nosso baixo nível educacional, o que nos torna facilmente manipuláveis. É importante salientar que os movimentos de junho de 2013 representaram uma insatisfação da sociedade com relação a temas diversos. Porém, mostraram-se inócuos, pois não havia uma pauta única e, mais importante, lideranças capazes de transformar estas insatisfações em ações pragmáticas. Dentro deste contexto, a revogação do aumento das passagens de ônibus, naquela ocasião, serviu apenas como um mecanismo para arrefecer os ânimos. Aliás, também sofremos de “memória curta”. A crise hídrica, tão em voga neste momento, já era percebida em meados do ano passado. Contudo, com a proximidade do processo eleitoral, o governo optou por não fazer qualquer tipo de racionamento, minimizando a importância do tema nos debates e garantindo, assim, a vitória já no primeiro turno.

DIÁRIO – Em outro artigo seu, “Gestão em Tempos de Crise”, você prognostica um panorama econômico muito difícil para 2015. Qual a sua posição, como cidadão, brasileiro e não como escritor ou intelectual sobre este ano? –  (se é que dê para separar rsrsrs (off)

 TOM COELHO – Teremos um ano recessivo por diversos fatores. Primeiro, porque os ajustes nas contas públicas estão sendo realizados, com elevação dos preços controlados, em especial energia e combustíveis. Isso impacta o bolso do consumidor e o planejamento financeiro das empresas. Segundo, porque o setor produtivo está sendo impactado pela queda no preço das commodities no mercado internacional e pela retração da atividade industrial. Ademais, o cidadão está endividado e com menos dinheiro no bolso para ativar o mercado interno. É evidente que neste cenário alguns setores despontarão, mas de forma geral, teremos queda no PIB e aumento da inflação.

DIÁRIO – Os investimentos estrangeiros estão cada vez menores em nosso país por um conjunto de fatores, entre eles a insegurança e a corrupção. O senhor que tem livros publicados em diversos países, como vê essas notícias serem motivo até de piadas em países onde a ética e a lisura com a coisa pública é coisa séria?

TOM COELHO – Os investimentos estrangeiros sofrerão retração porque a economia norte-americana está em recuperação, desde o ano passado, e com projeções favoráveis para este ano. Alguns investimentos persistirão, porém em decorrência da elevada taxa de juros praticada no Brasil, ou seja, trata-se de capital especulativo e não necessariamente voltado a investimentos. Os eventos recentes envolvendo, em especial, a Petrobras, contribuem para a construção de uma imagem que corrói a credibilidade de nosso país no cenário internacional.

tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br www.setevidas.com.br.

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