O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo (7) que os desafios enfrentados atualmente pela aviação mundial não podem ser solucionados de forma isolada por cada país. A declaração foi feita durante a abertura da 82ª Assembleia Geral Anual (AGM) e da Cúpula Mundial de Transporte Aéreo da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo).
REDAÇÃO DO DIÁRIO
Diante de um cenário marcado por conflitos internacionais, aumento dos custos operacionais e dificuldades nas cadeias globais de suprimentos, Alckmin destacou a necessidade de cooperação entre governos e o setor privado para garantir a sustentabilidade e o crescimento da aviação.
“A aviação global enfrenta desafios que nenhum país resolve sozinho. O custo do combustível permanece elevado e volátil. As cadeias de suprimento ainda carregam as cicatrizes da pandemia”, disse Alckmin.
Conflito no Oriente Médio pressiona custos das companhias
Entre os fatores que mais preocupam o setor está a escalada das tensões no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz provocou uma forte valorização do petróleo nos mercados internacionais, refletindo diretamente nos preços do querosene de aviação (QAV).
O combustível continua sendo uma das principais despesas das empresas aéreas. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o QAV responde atualmente por cerca de 46% dos custos operacionais das companhias.
A alta dos combustíveis tem impacto direto sobre a rentabilidade do setor e pode influenciar a estrutura de preços das passagens aéreas em diferentes mercados.
Governo adota medidas para apoiar o setor
Com o objetivo de reduzir os impactos financeiros causados pela alta dos combustíveis e pelo cenário internacional instável, o governo federal implementou medidas de apoio às empresas aéreas.
Entre elas está a isenção das alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o combustível de aviação. A iniciativa busca aliviar parte da pressão sobre os custos operacionais das companhias.
Além disso, o setor conta com linhas especiais de crédito operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Linhas de financiamento chegam a R$ 2,5 bilhões por empresa
Uma das modalidades de financiamento utiliza recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e pode disponibilizar até R$ 2,5 bilhões por companhia aérea. O foco é apoiar processos de reorganização financeira e fortalecimento das operações.
Outra linha foi criada para atender necessidades de curto prazo relacionadas ao capital de giro. Nesse caso, estão previstos R$ 1 bilhão em recursos, com prazo de pagamento de até seis meses.
Aviação é essencial para a integração do Brasil
Durante sua participação no evento, Alckmin também ressaltou a importância estratégica do transporte aéreo para um país com as dimensões do Brasil.
“O Brasil tem dimensões continentais, uma população de mais de 215 milhões de pessoas, uma classe média vigorosa e uma geografia que torna o avião não um luxo, mas uma necessidade”, declarou Alckmin neste domingo.
Segundo o vice-presidente, a conectividade aérea é um elemento fundamental para o desenvolvimento econômico, a integração regional e a mobilidade da população brasileira.




