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Copa do Mundo 2026 pode gerar onda de golpes digitais contra turistas, alerta especialista

A contagem regressiva para a Copa do Mundo FIFA 2026 não mobiliza apenas torcedores, agências de viagens e o setor de turismo. Segundo especialistas em cibersegurança, o maior evento esportivo do planeta também deve impulsionar uma onda de golpes digitais voltados a consumidores e empresas.

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias 

Com a competição marcada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, cresce a procura por ingressos, passagens aéreas, hospedagens, pacotes turísticos e plataformas de transmissão. Esse cenário cria oportunidades para criminosos virtuais explorarem o entusiasmo do público por meio de sites falsos, promoções fraudulentas e campanhas de phishing.

De acordo com a consultoria LC SEC, o risco tende a aumentar à medida que o torneio se aproxima, exigindo atenção redobrada dos viajantes que pretendem acompanhar os jogos presencialmente ou pela internet.

Copa do Mundo 2026: como evitar golpes digitais com ingressos, viagens e hospedagens - Crédito: Magnific / Freepik
Copa do Mundo 2026: como evitar golpes digitais com ingressos, viagens e hospedagens – Crédito: Magnific / Freepik

Fraudes podem gerar prejuízo milionário

Estimativas da empresa de segurança digital Group-IB indicam que as perdas financeiras relacionadas a golpes envolvendo ingressos e serviços falsos da Copa do Mundo podem variar entre US$ 71 milhões e US$ 474 milhões ao longo do ciclo do torneio.

A companhia identificou ainda uma operação de phishing atribuída ao grupo criminoso conhecido como GHOST STADIUM. A ação utiliza mais de 300 domínios fraudulentos para reproduzir a aparência do site oficial da FIFA e capturar credenciais de acesso, dados bancários e informações de pagamento de torcedores.

Segundo os levantamentos, essa estrutura faz parte de um ecossistema ainda maior, formado por diferentes grupos criminosos e mais de 4.300 domínios maliciosos registrados desde agosto de 2025.

Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, o principal desafio está na sofisticação das técnicas de engenharia social.

“Os criminosos não precisam necessariamente explorar vulnerabilidades técnicas. Muitas vezes, basta criar uma mensagem convincente sobre ingressos, promoções ou transmissões para induzir a vítima a fornecer informações sensíveis ou acessar páginas fraudulentas”, afirma.

Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, alerta para o aumento de golpes digitais relacionados à Copa do Mundo de 2026. Crédito: Divulgação
Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, alerta para o aumento de golpes digitais relacionados à Copa do Mundo de 2026. Crédito: Divulgação

Phishing segue em alta no mundo

O crescimento desse tipo de ameaça acompanha uma tendência global. Dados da Anti-Phishing Working Group (APWG) mostram que 2025 registrou cerca de 3,8 milhões de ataques de phishing em todo o mundo, superando os 3,76 milhões contabilizados em 2024.

Somente no último trimestre do ano passado foram identificadas mais de 853 mil tentativas de golpe. Redes sociais, plataformas de e-mail e mensagens por SMS aparecem entre os principais canais utilizados pelos criminosos.

Grandes eventos esportivos costumam servir de tema para essas campanhas fraudulentas, justamente pelo elevado volume de buscas e compartilhamentos online.

Ingressos falsos e promoções enganosas estão entre os golpes mais comuns

Entre as fraudes mais frequentes observadas em competições esportivas internacionais estão:

  • Sites falsos de venda de ingressos;
  • Promoções inexistentes;
  • Sorteios fraudulentos;
  • Perfis falsos em redes sociais;
  • QR Codes maliciosos;
  • Transmissões piratas com links contaminados por malware.

A própria FIFA recomenda que a compra de ingressos seja realizada exclusivamente por meio de seus canais oficiais, evitando plataformas não autorizadas e anúncios de origem duvidosa.

Empresas também precisam reforçar a segurança contra golpes

O alerta não se limita aos consumidores. Empresas ligadas ao turismo, hotelaria, transporte e entretenimento também podem se tornar alvos durante a Copa.

Segundo Luiz Claudio, o período pré-evento é estratégico para reforçar mecanismos de proteção digital.

“Eventos globais costumam gerar aumento significativo nas campanhas de phishing. É importante revisar mecanismos de autenticação multifator, fortalecer filtros de e-mail, monitorar vazamentos de credenciais e treinar equipes para identificar tentativas de fraude que utilizem temas relacionados à Copa”, explica.

Um estudo da Mandiant aponta que credenciais roubadas representaram o segundo vetor inicial mais comum em incidentes de segurança investigados em 2024, presentes em 16% dos casos analisados.

Isso significa que um simples clique em um link falso pode resultar em invasões de contas corporativas, acesso indevido a sistemas internos e prejuízos financeiros.

“A Copa de 2026 será um dos assuntos mais explorados pelos criminosos digitais ao longo do ano. Empresas e consumidores devem desconfiar de ofertas muito vantajosas, verificar sempre os canais oficiais e evitar compartilhar informações pessoais ou corporativas sem confirmar a legitimidade da solicitação”, conclui Luiz Claudio.

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