ABEAR esclarece que os cancelamentos de voos decorrem de razões meteorológicas ou operacionais e seguem critérios de segurança, após a circulação de publicações que atribuíram motivação eleitoral a suspensões de viagens para o Nordeste. A manifestação foi divulgada no domingo (25), durante o segundo turno das eleições de 2026, em meio a reclamações de passageiros e ao reforço do monitoramento pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
REDAÇÃO DO DIÁRIO com agências
O episódio que impulsionou a repercussão foi o cancelamento do voo G3 1979, da Gol, entre Porto Alegre e Salvador, no sábado (24). Segundo a companhia, a aeronave apresentou problemas técnicos. Passageiros protestaram no Aeroporto Salgado Filho, enquanto publicações nas redes sociais ampliaram o caso para uma suposta suspensão generalizada de ligações entre o Sul e o Nordeste.
Os números divulgados pela Anac não indicaram uma alteração excepcional na operação nacional. Até as 13h de domingo, haviam sido registrados 35 cancelamentos entre 3.797 voos programados para os dias 24 e 25, equivalentes a aproximadamente 0,9%. No fim de semana anterior, em 17 e 18 de outubro, foram 36 cancelamentos entre 4.233 operações previstas, patamar semelhante ao observado no período eleitoral.
Em levantamento divulgado no domingo, a agência identificou quatro cancelamentos com destino ao Nordeste: Porto Alegre–Salvador, da Gol; Brasília–Recife e Maceió–Recife, da Azul; e Guarulhos–Maceió, da Latam. Embora tenha informado não haver anormalidade no fluxo aéreo, a Anac cobrou das empresas informações urgentes sobre as providências para reacomodar os passageiros afetados.
As companhias apresentaram explicações e medidas de atendimento. A Gol informou ter reacomodado os passageiros e disponibilizado um voo extra que chegou a Salvador antes das 4h de domingo. A Azul declarou ter realizado mais de 160 voos para o Nordeste no sábado, com outros 159 programados para domingo. A Latam atribuiu o cancelamento entre Guarulhos e Maceió a condições meteorológicas adversas.
A repercussão também levou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva a notificar extrajudicialmente Gol, Latam e Azul. Segundo a Folha de S.Paulo, foram solicitadas informações sobre alterações de voos, passageiros atingidos e justificativas, além da preservação de registros operacionais entre 23 e 25 de outubro. As notificações não atribuíram às empresas intenção de interferir nas eleições e ressalvaram a necessidade de decisões motivadas por segurança.
Nesse contexto, a ABEAR esclarece que as decisões de cancelamento obedecem a procedimentos técnicos rigorosos e repudia a atribuição de outras motivações às medidas de segurança. Os dados apresentados pela Anac ajudam a dimensionar os episódios e não sustentam a alegação de cancelamentos generalizados. A avaliação sobre a regularidade da malha, porém, não dispensa a explicação de cada ocorrência nem comprova, por si só, que todos os passageiros receberam atendimento adequado.
A entidade afirma que suas associadas prestam assistência conforme a Resolução 400 da Anac. A regulamentação prevê obrigações de informação e atendimento aos viajantes, e a agência reiterou, ao anunciar sua atualização em setembro, que a assistência material permanece exigível mesmo em situações de caso fortuito ou força maior. Assim, a prioridade da segurança operacional deve ser acompanhada de comunicação clara e providências para atender quem teve a viagem interrompida.





