O Brasil entre os melhores países para expatriados é um dos destaques do Expat Insider 2026, levantamento da InterNations que colocou o país na quinta posição entre 31 destinos avaliados. A facilidade de adaptação, a receptividade dos brasileiros e o custo de vida contribuíram para o resultado, enquanto segurança, mobilidade e perspectivas profissionais aparecem entre os principais pontos de atenção.
DA REDAÇÃO com agências internacionais
Realizado anualmente pela InterNations, o Expat Insider chegou à 13ª edição ouvindo 7.786 expatriados de 162 nacionalidades. A pesquisa foi realizada entre 1º de fevereiro e 31 de março de 2026 e analisou cinco grandes índices: qualidade de vida, trabalho no exterior, finanças pessoais, serviços essenciais para expatriados e facilidade de adaptação. Para integrar o ranking, cada destino precisava contar com pelo menos 50 participantes.
O resultado coloca o Brasil entre os melhores países para expatriados, atrás apenas de Panamá, México, Tailândia e Emirados Árabes Unidos. Espanha, Singapura, Portugal, Malásia e Luxemburgo completam as dez primeiras posições.
Brasil se destaca pela facilidade de adaptação
Um dos fatores que ajudam a explicar a posição brasileira está na integração dos estrangeiros à sociedade. O Brasil ocupa o 4º lugar no índice Ease of Settling In, que mede a facilidade de adaptação, ficando atrás apenas de México, Panamá e Tailândia.
A avaliação positiva se estende à maneira como os estrangeiros são recebidos. Segundo a pesquisa, 79% dos expatriados consideram positiva a receptividade dos brasileiros em relação aos residentes estrangeiros, enquanto a média mundial é de 61%.
Outro indicador reforça essa percepção: 68% afirmam ser fácil fazer amigos brasileiros, ante 39% na média global. Quase metade dos entrevistados no país — 48% — declarou que seu círculo de amizades é formado principalmente por moradores locais, percentual bastante superior aos 17% registrados mundialmente.
Esse ambiente social ajuda a explicar o grau de satisfação dos estrangeiros. Setenta e nove por cento dos expatriados entrevistados estão satisfeitos com a vida no Brasil, nove pontos percentuais acima da média mundial, de 70%. O país aparece ainda na quinta posição no ranking específico de felicidade dos expatriados.
Finanças ajudam a colocar Brasil entre os melhores países para expatriados
O desempenho brasileiro também é favorecido pelo aspecto financeiro. O país alcançou o 6º lugar no Índice de Finanças Pessoais. Cerca de 48% dos entrevistados avaliam positivamente o custo de vida brasileiro, diante de uma média mundial de 39%.
Em questões práticas da vida cotidiana, o Brasil ficou em décimo lugar no índice Expat Essentials. A moradia é um dos destaques: o país ocupa a quinta posição nesse quesito, ao lado de outros destinos das Américas que apresentam bom desempenho na facilidade de encontrar habitação.
Existe, porém, uma barreira importante: o idioma. O Brasil aparece apenas na 29ª posição quando os expatriados avaliam a possibilidade de viver no país sem dominar a língua local. Somente 23% consideram fácil morar no território brasileiro sem falar português, enquanto a média global chega a 48%. Para 42% dos participantes, o idioma estava entre as principais preocupações antes da mudança.
Segurança e carreira permanecem como desafios
A quinta posição geral não significa que a experiência dos estrangeiros seja positiva em todas as áreas. O levantamento identifica fragilidades importantes relacionadas à segurança, aos transportes e ao mercado profissional.
O Brasil ocupa apenas o 23º lugar em qualidade de vida e o 24º em trabalho no exterior. As avaliações relacionadas à segurança pessoal estão entre os fatores que reduzem o desempenho brasileiro, assim como questões ligadas às oportunidades profissionais e à mobilidade.
Assim, o resultado apresenta um contraste: o país é bem avaliado pela convivência social, acolhimento, adaptação e custo de vida, mas encontra dificuldades em aspectos estruturais capazes de influenciar a permanência e a carreira dos estrangeiros.
Panamá lidera ranking pelo terceiro ano
Na primeira colocação mundial, o Panamá manteve a liderança do Expat Insider pelo terceiro ano consecutivo. O país ocupa o primeiro lugar nos índices de trabalho no exterior e finanças pessoais e o segundo em facilidade de adaptação e serviços essenciais para expatriados.
A pesquisa mostra que 90% dos estrangeiros residentes no Panamá consideram a renda familiar disponível suficiente para manter uma vida confortável, enquanto a média mundial é de 71%. Além disso, 76% estão satisfeitos com sua situação financeira.
O país também se consolidou como destino de aposentados. Entre os expatriados pesquisados no Panamá, 37% já estão aposentados, ante 14% na média global. Entre aqueles que permanecem profissionalmente ativos, o destino ocupa o primeiro lugar mundial em equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Apesar da liderança, o Panamá apresenta deficiências. Sua infraestrutura para automóveis ficou na última posição entre os países pesquisados, enquanto questões relacionadas ao ambiente urbano e à disponibilidade de produtos e serviços sustentáveis também tiveram avaliações inferiores. Ainda assim, 34% dos expatriados afirmam pretender permanecer definitivamente no país.
Noruega ocupa a última posição
No extremo oposto do levantamento aparece a Noruega. O país ficou na 31ª colocação e apresentou seu pior desempenho justamente na facilidade de integração social.
Segundo o Expat Insider, 72% dos estrangeiros consideram difícil fazer amigos noruegueses, diante de 40% na média mundial. Apenas 25% demonstram satisfação com a vida social e 31% afirmam sentir-se em casa no país.
O custo de vida também influencia negativamente a experiência dos estrangeiros. A Noruega aparece na última colocação nesse indicador e somente 39% dos entrevistados estão satisfeitos com sua situação financeira.
Há, entretanto, aspectos positivos. O país ocupa o quarto lugar em segurança no emprego e o oitavo na avaliação da situação econômica. A natureza também recebe reconhecimento: 96% dos expatriados avaliam positivamente o ambiente natural, e a qualidade do ar aparece na quinta posição mundial.
Depois da Noruega, aparecem nas últimas posições Alemanha, Turquia, Reino Unido e Canadá. De maneira mais ampla, oito dos dez países colocados na parte inferior do ranking são europeus.
Os 10 melhores países para expatriados em 2026
- Panamá
- México
- Tailândia
- Emirados Árabes Unidos
- Brasil
- Espanha
- Singapura
- Portugal
- Malásia
- Luxemburgo
O levantamento mostra ainda uma presença expressiva da América Latina entre os destinos mais bem avaliados: Panamá, México e Brasil aparecem entre os cinco primeiros. Segundo a InterNations, receptividade, facilidade de integração e condições financeiras estão entre os fatores que ajudam a explicar o desempenho da região.




