A Europa atravessa um período de atenção no mercado de combustível de aviação. A combinação entre a redução dos estoques regionais e a instabilidade no Oriente Médio tem aumentado as preocupações sobre o abastecimento nos próximos meses, justamente durante a alta temporada de viagens no hemisfério norte.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Reuters
Levantamentos de consultorias especializadas indicam que o continente dispõe atualmente de menos de um mês de cobertura de demanda para querosene de aviação, cenário considerado mais delicado do que o observado em outras grandes regiões consumidoras, como Estados Unidos e Ásia.
A situação ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo o Irã e às incertezas sobre o fluxo de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e derivados.
Dependência do Oriente Médio preocupa
Durante décadas, o fechamento de refinarias europeias tornou diversos países mais dependentes das importações de combustível provenientes do Oriente Médio. Reino Unido, França e Alemanha estão entre os mercados considerados mais expostos a possíveis interrupções no fornecimento.
Embora o estreito tenha retomado parte das operações após os confrontos registrados no início do ano, novos episódios de violência nas últimas semanas reacenderam o temor de restrições logísticas e atrasos nas exportações.
Projeções da consultoria Energy Aspects apontam que a Europa poderá registrar um déficit de aproximadamente 600 mil barris por dia de combustível de aviação durante o terceiro trimestre. No mesmo período, Estados Unidos e Ásia-Pacífico deverão manter superávits na oferta.
Europa amplia importações e produção
Para evitar impactos mais severos, empresas e refinarias europeias intensificaram a busca por fornecedores alternativos. Além dos tradicionais embarques do Oriente Médio, o continente passou a receber volumes maiores de países como Estados Unidos, Canadá, Índia, Nigéria, Coreia do Sul e Kuwait.
Dados da consultoria Kpler mostram que as importações europeias de querosene de aviação alcançaram, em junho, o maior nível desde outubro de 2025.
Ao mesmo tempo, refinarias europeias também aumentaram a produção. Na Itália, por exemplo, a fabricação do combustível cresceu nos primeiros meses do ano, reduzindo parcialmente a necessidade de importações e fortalecendo a oferta doméstica.
União Europeia monitora cenário
A Comissão Europeia reconheceu que os estoques poderão ficar ainda mais apertados até o fim das férias de verão no continente.
Segundo autoridades do bloco, caso seja necessário, haverá coordenação entre os países-membros para utilização das reservas estratégicas, com o objetivo de evitar problemas de abastecimento nos aeroportos.
Apesar das preocupações, especialistas avaliam que não há risco imediato de interrupção das operações aéreas, já que o mercado vem conseguindo substituir parte do combustível originalmente importado do Oriente Médio por cargas provenientes de outros países.
Combustível mais barato ainda não reduz preço das passagens
Enquanto o abastecimento segue sendo monitorado, os preços do querosene de aviação já apresentam recuo em relação aos picos registrados após o início do conflito.
Mesmo assim, analistas avaliam que a redução do custo do combustível dificilmente será repassada rapidamente aos passageiros. A demanda por viagens permanece elevada durante o verão europeu, enquanto a oferta de voos continua limitada em diversas rotas internacionais.
Como o combustível representa entre 20% e 25% dos custos operacionais das companhias aéreas, qualquer nova interrupção no fornecimento poderá voltar a pressionar os custos do setor caso o conflito na região se intensifique.




