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Declínio americano: políticas de Trump e ações do ICE aprofundam crise no turismo dos EUA

O declínio americano no turismo internacional já produz efeitos bilionários em 2026. Políticas migratórias mais rígidas, ações intensificadas do ICE e tensões comerciais vêm impactando diretamente a imagem dos Estados Unidos como destino global, provocando queda no fluxo de visitantes e retração nas receitas do setor.

DA REDAÇÃO com jornais internacionais

O que se projetava como o ano da consolidação da recuperação turística, impulsionado pela expectativa da Copa do Mundo da FIFA, transformou-se em um cenário de retração. Em 2025, os Estados Unidos foram o único grande destino global a registrar queda nas chegadas internacionais, enquanto o turismo mundial avançou 4%, alcançando 1,5 bilhão de viajantes, segundo dados do Barômetro da ONU.

Relatórios do World Travel & Tourism Council (WTTC) apontam que o país perdeu entre 5,4% e 6% nas chegadas internacionais em 2025 — cerca de 4,5 milhões de visitantes a menos em relação ao ano anterior. A estimativa de perdas varia entre US$ 12,5 bilhões e US$ 30 bilhões em gastos de turistas estrangeiros, de acordo com análises do setor.

Declínio americano se intensifica em 2026

A tendência negativa ganhou força no início de 2026. Em janeiro, as visitas internacionais recuaram entre 4,2% e 4,8% na comparação anual, marcando o nono mês consecutivo de queda.

Projeções do WTTC indicam que medidas como a exigência de histórico de redes sociais para viajantes do Visa Waiver Program podem resultar em até 4,7 milhões de visitantes a menos ao longo do ano. O impacto estimado alcança US$ 15,7 bilhões em gastos diretos e até US$ 21,5 bilhões no PIB do turismo, colocando em risco milhares de empregos.

Para Julia Simpson, presidente e CEO do WTTC, trata-se de um alerta contundente: enquanto outros países reforçam estratégias de acolhimento e facilitação de entrada, os EUA enfrentam uma erosão gradual da confiança internacional.

Declínio americano afeta mercados estratégicos

Canadá e México, historicamente responsáveis por mais da metade das chegadas internacionais aos EUA, lideram a retração.

O Canadá registrou quedas entre 22% e 30% em 2025, representando cerca de 4 milhões de visitantes a menos. Apenas no verão, 3 milhões de viagens foram canceladas. O impacto financeiro varia entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5,7 bilhões. Companhias aéreas como a WestJet e a Air Transat reduziram rotas para cidades americanas e redirecionaram operações para México, Caribe e Europa.

O México também apresentou redução nas viagens aos EUA, enquanto fortaleceu seu próprio desempenho turístico, alcançando recordes históricos de visitantes internacionais em 2025.

Mercados europeus e asiáticos, como Alemanha, França, Índia e Austrália, também registraram retrações, refletindo um movimento mais amplo de redirecionamento de fluxos turísticos globais.

Julia Simpson, presidente e CEO do WTTC: “Trata-se de um alerta contundente: enquanto outros países reforçam estratégias de acolhimento e facilitação de entrada, os EUA enfrentam uma erosão gradual da confiança internacional” (Crédito: arquivo DT)

Declínio americano pressiona hotéis, empregos e economia

O turismo internacional injetou US$ 254 bilhões na economia americana em 2024. Com a retração de 7% em 2025, o impacto foi imediato: cada 1% de queda representa cerca de US$ 1,8 bilhão em receita perdida.

Hotéis na Flórida, Nova York e regiões de fronteira relatam aumento significativo de vacância. Destinos tradicionalmente consolidados, como Las Vegas, também sentem o enfraquecimento da demanda internacional. Estimativas indicam que até 157 mil empregos podem estar em risco apenas com mudanças recentes nas exigências migratórias.

Declínio americano e a percepção de hostilidade

Especialistas apontam como fatores centrais as ações intensificadas do ICE em aeroportos, relatos de detenções de turistas, inspeções de dispositivos eletrônicos e endurecimento de políticas migratórias. A repercussão internacional dessas medidas, somada a tensões comerciais e anúncios de tarifas, contribuiu para consolidar uma percepção de ambiente menos acolhedor.

Propostas como exigência de fianças elevadas para determinados vistos, taxas adicionais e ampliação de checagens digitais reforçam a imagem de um país mais restritivo.

Enquanto destinos europeus celebram recordes históricos no pós-pandemia, os Estados Unidos perdem participação no mercado global. O chamado “Trump Slump”, como vem sendo classificado por parte da imprensa internacional, consolida-se como um dos maiores desafios recentes da indústria turística americana.

Se mantida a tendência, 2026 — ano simbólico com a Copa do Mundo no horizonte — poderá ser marcado não pela celebração, mas pelo aprofundamento do maior recuo turístico da história moderna do país.

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