EasyJet voltou ao centro de uma controvérsia na Europa após a Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato (AGCM), órgão antitruste da Itália, abrir uma investigação formal contra a companhia aérea britânica por possíveis práticas comerciais desleais relacionadas à cobrança de bagagens. A suspeita é de que a empresa tenha induzido passageiros ao erro ao apresentar preços médios e opções pré-selecionadas durante o processo de compra de passagens.
DA REDAÇÃO — com Reuters, The Guardian e AGCM
Segundo a autoridade italiana, o sistema de reservas da EasyJet no site e no aplicativo móvel configurava automaticamente a contratação conjunta de bagagem despachada e equipamentos esportivos para voos de ida e volta. O problema, segundo o regulador, é que os consumidores visualizavam apenas um valor médio global do serviço, sem clareza sobre o custo individual de cada trecho.
A investigação também aponta que os passageiros que desejavam incluir bagagem apenas em um dos percursos precisavam interromper a reserva e alterar manualmente a configuração padrão — um processo considerado pouco intuitivo e potencialmente enganoso pela AGCM. Para o órgão, a prática pode ter limitado a capacidade dos consumidores de tomarem decisões plenamente informadas.
Em resposta à repercussão do caso, a EasyJet afirmou à agência Reuters que “sempre atuou em conformidade com as leis de defesa do consumidor” e reforçou o compromisso com “transparência e justiça” para os clientes. A companhia informou ainda que irá cooperar integralmente com as autoridades italianas durante a investigação.
Histórico de conflitos da EasyJet com autoridades europeias
Não é a primeira vez que a EasyJet enfrenta questionamentos regulatórios relacionados à transparência comercial. Em casos anteriores analisados pela própria AGCM, a companhia já havia sido acusada de omitir informações essenciais sobre seguros e serviços adicionais vendidos durante a compra online de passagens.
Em 2021, a empresa foi multada em 2,8 milhões de euros juntamente com Ryanair e Volotea por substituir reembolsos em dinheiro por vouchers após cancelamentos de voos durante a pandemia de Covid-19. O recurso apresentado pela EasyJet foi posteriormente rejeitado pela Justiça italiana.
O debate sobre cobranças adicionais também ganhou força na União Europeia. Recentemente, propostas discutidas no Parlamento Europeu sugeriram ampliar o direito dos passageiros ao transporte gratuito de bagagem de mão, medida que recebeu críticas contundentes de companhias low cost, incluindo a própria EasyJet.
Ryanair, Wizz Air e outras low cost também acumulam denúncias
A investigação contra a EasyJet se soma a uma longa lista de questionamentos envolvendo empresas aéreas de baixo custo na Europa. A Ryanair, por exemplo, foi alvo de ações da AGCM por limitar a atuação de agências de viagens e impor obstáculos à comercialização de bilhetes, incluindo sistemas de reconhecimento facial e bloqueios de contas.
A Wizz Air também enfrentou pressão das autoridades italianas em razão das políticas de bagagem de mão e cobrança de serviços acessórios, prática considerada recorrente entre companhias de baixo custo que operam no continente europeu.
Especialistas do setor apontam que o modelo de negócios das low costs se apoia justamente na fragmentação tarifária: passagens inicialmente baratas acabam acrescidas de cobranças por despacho de malas, marcação de assentos, prioridade de embarque e até impressão de cartões de embarque. O resultado, muitas vezes, é um preço final significativamente superior ao valor anunciado inicialmente.
Enquanto a investigação avança na Itália, o caso da EasyJet reacende o debate sobre transparência tarifária e proteção ao consumidor em um mercado aéreo europeu cada vez mais competitivo — e também mais pressionado pelos órgãos reguladores.




