GOL assume Avianca na representação comercial da companhia colombiana no Brasil, em um movimento que pude acompanhar de perto nesta terça-feira (25), durante um encontro no rooftop do Hotel Unique, em São Paulo. Diante de cerca de 40 executivos de agências de viagens, consolidadoras e parceiros do trade, ficou evidente que a decisão vai além de uma mudança operacional: ela aprofunda as sinergias entre as duas empresas que integram o Grupo Abra.
ANDRÉ MOURA, DA REDAÇÃO DO DIÁRIO
GOL assume Avianca e aproxima operação do trade brasileiro
Durante o encontro, acompanhei as apresentações das principais lideranças comerciais do grupo e percebi um ponto comum nos discursos: aproximar a Avianca do mercado brasileiro utilizando a estrutura e o relacionamento já construídos pela GOL com agências, consolidadoras, empresas e associações do setor.
Angus Clark, CCO do Grupo Abra, apresentou a visão de longo prazo e os pilares dessa integração. Otto Gergye, CCO da Avianca, ressaltou a importância estratégica do Brasil e a confiança depositada na equipe comercial da GOL. Mateus Pongeluppi, CCO da GOL, por sua vez, enfatizou a necessidade de ouvir o trade e desenvolver soluções capazes de gerar crescimento para todos os envolvidos.
Na prática, a equipe comercial da GOL passa a administrar a oferta de voos, conexões e produtos da Avianca destinada ao mercado B2B brasileiro. A proposta é centralizar o relacionamento comercial e tornar o atendimento aos parceiros mais direto.
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da GOL e responsável por conduzir o evento, definiu a mudança como resultado da maturidade alcançada pela equipe brasileira e das relações desenvolvidas com o mercado ao longo dos anos.
“Essa união é uma grande oportunidade para simplificar os negócios dos nossos parceiros e oferecer uma proposta de valor ainda mais robusta para o mercado brasileiro”, afirmou.
GOL assume Avianca em modelo já testado pelo Grupo Abra
Ao ouvir a apresentação, um aspecto chamou minha atenção: o caminho agora adotado no Brasil não é exatamente novo dentro do grupo. Trata-se, na verdade, de uma espécie de movimento inverso ao iniciado três anos atrás.
Em 2023, foi a Avianca que assumiu a gestão comercial da GOL em mercados como Colômbia, Equador, Chile, Bolívia, Peru, América Central e América do Norte. A experiência serviu como referência para a estrutura implementada agora no mercado brasileiro.
Para preparar a transição, as equipes comerciais das duas empresas passaram por um programa conjunto de treinamento. O objetivo, segundo as companhias, é preservar os padrões de atendimento e garantir que os parceiros encontrem continuidade na relação comercial.

GOL assume Avianca diante de uma extensa malha internacional
Os números apresentados no encontro ajudam a dimensionar o alcance da operação. Atualmente, a Avianca mantém 56 frequências semanais no Brasil, ligando São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Belém ao hub de Bogotá.
Da capital colombiana, os passageiros encontram conexões para 80 destinos nas Américas e na Europa. Por meio da Star Alliance, essa rede alcança mais de 1.150 cidades em diferentes partes do mundo.
A malha se complementa com a operação da GOL, que oferece 66 destinos domésticos e 23 internacionais, atende 13 países e realiza, em média, cerca de 700 voos por dia em 207 rotas.
Entre os movimentos de expansão internacional está Nova York (JFK), já atendida pela companhia, além de Lisboa (LIS), cuja operação está prevista para começar em 16 de setembro. Paris (CDG) e Orlando (MCO) também estão nos planos, ainda sem datas anunciadas. Os voos de longa distância partem do RIOgaleão (GIG), no Rio de Janeiro, principal hub internacional da GOL.
Saí do encontro com a percepção de que a mudança representa mais do que compartilhar uma força de vendas. Ao colocar a Avianca sob a representação comercial da GOL no Brasil, o Grupo Abra procura transformar a complementaridade das duas malhas em uma estratégia comercial comum, sobretudo diante de um mercado brasileiro cada vez mais relevante para as conexões entre América do Sul, América do Norte e Europa.
*André Moura é repórter freelancer do DIÁRIO




