Medida pretende conter alta dos aluguéis e proteger moradores em um dos destinos mais visitados da Europa
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Reuters
A cidade de Florença, na Itália, prepara uma nova ofensiva contra os aluguéis turísticos de curta duração. A prefeitura anunciou um plano para ampliar significativamente as restrições a novos imóveis voltados para plataformas como o Airbnb, expandindo a proibição para além do centro histórico tombado pela UNESCO.
A proposta será apresentada nesta quarta-feira (27) a uma comissão do conselho municipal e deverá ser votada no início de junho. Se aprovada, a medida impedirá por dois anos a abertura de novos imóveis destinados a hospedagem turística em cerca de 16 quilômetros quadrados da cidade.
Atualmente, as restrições atingem pouco mais de 35 mil imóveis. Com a ampliação, o número ultrapassará 103 mil residências.
Florença tenta frear pressão imobiliária
Assim como outros destinos turísticos europeus, Florença enfrenta problemas relacionados ao crescimento dos aluguéis de temporada. Moradores reclamam do aumento dos preços dos imóveis e da dificuldade de permanecer em áreas centrais da cidade.
Em entrevista à Reuters, a prefeita Sara Funaro afirmou que o objetivo da medida é preservar o equilíbrio entre turismo e qualidade de vida.
“O objetivo é claro: continuar nosso compromisso de proteger a vida residencial e garantir um equilíbrio sustentável entre o turismo e o cotidiano dos nossos cidadãos”, declarou.
Segundo a prefeita, houve um crescimento expressivo dos aluguéis turísticos nos últimos anos.
“Os dados mostram que, em nossa cidade, o fenômeno dos aluguéis turísticos de curta duração cresceu de forma muito significativa”, afirmou à Reuters.
Medida tenta evitar corrida por novos registros
A prefeitura também pediu tramitação urgente para o projeto. A intenção é evitar que proprietários tentem registrar novos imóveis antes da entrada em vigor das regras.
A nova proposta amplia uma decisão tomada em 2023, quando Florença proibiu novos aluguéis turísticos de curta duração no centro histórico. Apesar das críticas e disputas judiciais, a prefeitura venceu ações movidas contra a medida no tribunal administrativo regional.
Pelas regras atuais, os imóveis já cadastrados continuarão autorizados a operar até maio de 2028. Depois desse prazo, a cidade pretende iniciar uma redução gradual no número de hospedagens turísticas.
Segundo Sara Funaro, a prefeitura pretende beneficiar pequenos proprietários locais que utilizam um único imóvel para complementar a renda, priorizando-os em relação a operadores que atuam em larga escala no mercado turístico.
Empresários criticam restrições
Representantes do setor turístico reagiram negativamente à proposta. Para empresários ligados ao segmento de hospedagem, as restrições podem gerar impactos econômicos e afetar empregos relacionados ao turismo.
Lorenzo Fagnoni, presidente da associação Property Managers Italia e diretor-executivo da Apartments Florence, criticou a ampliação das proibições.
“Apesar disso, a prefeitura agora decide ampliar as proibições para bairros fora do centro, continuando a prejudicar cidadãos, pequenos proprietários e empresas ligadas à hospitalidade”, afirmou à Reuters.
Segundo ele, o mercado de aluguel de curta duração movimenta uma ampla cadeia de profissionais, incluindo administradores de imóveis, equipes de limpeza, técnicos, trabalhadores de manutenção e artesãos.
Fagnoni também declarou que “criminalizar a atividade empreendedora no turismo” pode prejudicar uma parte importante da economia local.
Debate cresce em destinos turísticos europeus
O avanço das plataformas de hospedagem temporária tem provocado debates em diversas cidades europeias. Destinos como Barcelona, Amsterdã e Lisboa também vêm adotando regras mais rígidas para tentar conter a pressão sobre o mercado imobiliário e reduzir os impactos do turismo de massa.
Em Florença, a discussão ganhou força diante do aumento do número de visitantes internacionais e da transformação de imóveis residenciais em acomodações voltadas exclusivamente ao turismo.
Fonte: Reuters




