No sertão de Pernambuco, turistas podem conhecer produção de vinhos

Há 40 anos, no meio do sertão do Nordeste, onde muitos ainda achavam ser impossível nascer algum tipo de vegetação, se instalariam as maiores e melhores vinícolas produtoras de vinho do Brasil e que hoje representam 15% do mercado interno nacional, com uma produção da ordem de 8 milhões de litros de vinho por ano

por Eduardo Andreassi*


 
Quando se pensa em vinhos no Brasil, a primeira associação é ao Rio Grande do Sul -estado que é o maior produtor do país. Mas há tempos a vinicultura deixou de ser monopólio gaúcho.
 
Uma das regiões que despontou nesse cenário é o sertão pernambucano, terra de contrastes que une a vegetação peculiar da caatinga – esse bioma é extremamente rico e resistente e representado por 2.500 espécies, das quais 300 são exclusivas deste ecossistema – às terras banhadas pelo rio São Francisco. É nelas que a aridez cede espaço para a exuberância da produção agrícola.
 

Vinho de Pernambuco – eu, Eduardo, pude vivenciar isso de perto

 
Para escoamento da produção, captar matéria prima – garrafas, fertilizantes – e obter mais tecnologia e qualidade, a região do Vale do São Francisco dispõe da infraestrutura do Aeroporto Internacional de Petrolina; da hidrovia do São Francisco, com o Lago de Sobradinho – o maior lago artificial do mundo – de eclusas na Barragem de Sobradinho; de ligação rodoviária com as principais capitais do Nordeste e de uma termelétrica com capacidade para geração 138 megawatts de energia. 

Curiosidades – o início

A vitivinicultura é uma atividade recente no Nordeste do Brasil e vem sendo intensificada nesses últimos anos.
Nos anos 60, a Cinzano instalou-se na região, dedicando-se à produção de uvas somente para a fabricação do vermute. 
Em 1970, a Vinícola do Vale do São Francisco, em parceria com a Forestier e, contando com sua assistência técnica, produz seus vinhos finos Botticelli.

Visitando Vinícolas – locais de armazenamento em tonéis de carvalho

Já o empresário paulista Mamoru Yamamoto foi um dos pioneiros na elaboração de vinhos no Vale do São Francisco no início dos anos 80, após suas andanças por várias regiões do mundo, em busca de seu sonho: produzir vinhos de qualidade em meio ao sertão seco e coberto pela caatinga. 
A tecnologia da irrigação, a persistência e a determinação abriram novas perspectivas ao japonês que queria produzir vinhos. Na busca de terras melhores, Mamoru Yamamoto entrou sertão à dentro e foi parar em Santana do Sobrado, vilarejo pertencente ao Município de Casa Nova, na Bahia. Lá imprimiu no solo um marco, como querendo fazer pacto com Deus e com a natureza. Nascia, em 1980, a Fazenda Ouro Verde, hoje de propriedade da Miolo Wine Group e que tem como parceiros as Vinícolas Miolo/Lovara e Osborne. 

Conhecendo a região e as vinícolas 

O Vale se transformou em um polo de desenvolvimento tecnológico da fruticultura irrigada, com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio de sua unidade descentralizada, a Embrapa Uva e Vinho, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 
Em Petrolina (PE), cidade-base para quem visita a região, o próprio Centro Tecnológico da Uva e do Vinho, laboratório da Embrapa Semiárido, pode ser visitado (tel. 87/3866-3600) – uma trilha de 300 metros mostra a diversidade da flora e da fauna da caatinga. 

Um dos cenários da minissérie Amores Roubados

Mas vinho mesmo – e para conhecer os métodos de produção e degustar a bebida direto da fonte, – está nas vinícolas.
São, hoje, ao menos sete delas, entre os municípios de Casa Nova e Curaçá na Bahia, e Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande, em Pernambuco. Todas – a Vinícola Miolo Terra Nova (administrada pelo grupo Miolo), a Vitivinícola Santa Maria , a Adega Bianchetti Tedesco , Vinícola Terroir do São Francisco (Garziera), Mandacaru, São Francisco Botticelli e Vinun Sancti Benedctus (VSB), abrem as portas para os turistas.

Guia é importante 

Para o leigo, é uma oportunidade de se familiarizar com nomes de castas de uvas que incluem Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Chenin Blanc, Petite Syrah, Tannat e Brut.  O passeio vale como uma aula prática sobre o preparo da bebida, seus aromas e variedades. Mas, vale o aviso: como os caminhos entre os locais são longos e a estrutura por vezes é precária. Prefira fazer o passeio com o acompanhamento de guias da região. 
As visitas oferecem ao turista a visitação ao plantio, à área industrial, explicações sobre o processo de plantio das uvas e fabricação do vinho e com direito a degustação do mesmo. Para explorar ainda mais a região, há passeios como o Vapor do Vinho (R$ 160,00), que inclui visita à vinícola da Miolo, almoço e um passeio de barco que atravessa uma eclusa; e o Catamarã (R$ 160,000), com ingresso para a Santa Maria. 

Degustando o produto final, o vinho pernambucano

Curiosidade

Vitivinícola Santa Maria, serviu de locação para a minissérie “Amores Roubados”, da Rede Globo.



Eduardo Andreassi é jornalista e fotógrafo. Formado pela UNIP, reside e trabalha no Brasil e Itália, trabalhando em parceria com a Toscana Promozione Turística.
Possui várias publicações em mídias idôneas, como Catraca Livre, Webventure , IG, G1, Portal Terra, Folha, Estadão entre outras e fotografias selecionadas pela Revista National Geographic e Viaje Aqui, da Editora Abril. É também assessor de imprensa.

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