Empreendimento em Ibiúna reposiciona sua operação para eventos corporativos e sociais e anuncia parceria com o grupo de Morena Leite, valorizando ingredientes da Mata Atlântica e a produção agroflorestal
Por Denis Rugeri | Diário do Turismo
A Reserva Morros Verdes, em Ibiúna, no interior paulista, inicia uma nova etapa de sua trajetória. Antes conhecido como Hotel Fazenda Morros Verdes, o empreendimento passa a direcionar sua operação prioritariamente aos segmentos de eventos corporativos e sociais, em uma estratégia que combina hospitalidade, gastronomia brasileira e experiências em meio à natureza.
O reposicionamento foi apresentado nesta quarta-feira (23), durante evento que marcou o anúncio da parceria com o Grupo Capim Santo, comandado pela chef Morena Leite. A empresa assume a operação gastronômica da propriedade, levando sua experiência em eventos e a valorização dos ingredientes brasileiros para um ambiente de 300 hectares de Mata Atlântica.
A proposta é conectar a cozinha do Capim Santo à produção orgânica e agroflorestal desenvolvida há mais de duas décadas pela família Haberkorn, responsável pela Reserva Morros Verdes.

Em entrevista ao Diário do Turismo, Felipe Barros, do marketing da Reserva, explicou que a parceria representa a continuidade de um trabalho que já fazia parte da identidade do empreendimento.
“A gente sempre produziu bastante orgânicos, frutas e verduras da Mata Atlântica, que já servíamos no nosso cardápio, valorizando essa agricultura orgânica. Agora, com a chegada do Capim Santo, toda a parte de alimentação passa a ser assinada pelo grupo, pela chef Morena Leite”, afirmou.
Segundo ele, a proposta é explorar os ingredientes da Mata Atlântica na elaboração dos pratos servidos durante os eventos realizados na propriedade.

Eventos ganham prioridade na nova fase
O reposicionamento acompanha uma demanda que já vinha crescendo no Morros Verdes: a realização de encontros empresariais, celebrações e eventos familiares.
Entre os segmentos prioritários estão reuniões de liderança, confraternizações corporativas, casamentos, aniversários e encontros de grupos familiares.
A Reserva conta atualmente com 44 acomodações, capazes de hospedar até 160 pessoas. Para eventos no formato day use, a estrutura permite receber grupos maiores, de aproximadamente 200 a 250 participantes.
Apesar da mudança de foco, o empreendimento não encerrará completamente o atendimento ao público de lazer.
“A ideia é que a gente foque mais em eventos, mas que também, em datas pontuais, atenda o público de lazer”, esclareceu Felipe.
Segundo o executivo, ainda estão previstas oito datas de abertura ao lazer até o final do ano, além da intenção de receber hóspedes durante o Natal e o Ano Novo.
A nova estratégia, portanto, consolida a vocação da propriedade para eventos, mantendo a possibilidade de hospedagem individual em períodos específicos.

Capim Santo leva sua gastronomia para a floresta
A chegada do Grupo Capim Santo representa um dos principais pilares do reposicionamento.
A parceria contempla o serviço gastronômico para eventos corporativos, celebrações sociais e experiências privativas, com cardápios que acompanharão a sazonalidade e incorporarão alimentos provenientes da horta, do pomar e da agrofloresta da Reserva.
Também estão previstos ingredientes de produtores parceiros, reforçando a relação entre gastronomia, território e biodiversidade.
Durante a apresentação, Morena Leite destacou que a união entre as duas organizações está diretamente relacionada à afinidade de princípios.
“Nos associar com alguém significa alguém com princípios e valores como os nossos, com a vontade de oferecer, com a vontade de compartilhar”, afirmou a chef.
Morena relembrou sua trajetória familiar, iniciada em Trancoso, na Bahia, onde seus pais se estabeleceram no final dos anos 1970 em busca de qualidade de vida. Foi nesse ambiente, entre o cultivo de alimentos e a cozinha de sua mãe, que nasceu sua relação com a gastronomia e a hospitalidade.
“Para mim, o motivo do Capim Santo é fazer pessoas felizes”, resumiu.
A chef também demonstrou entusiasmo com a possibilidade de trabalhar os ingredientes da Mata Atlântica em um ambiente diferente daquele que marcou sua infância.
“Poder, junto com vocês, receber pessoas nessa floresta, nessa mata, me deixa muito alegre, cozinhando os ingredientes da Mata Atlântica com vocês.”
“Nos associar com alguém significa alguém com princípios e valores como os nossos, com a vontade de oferecer, com a vontade de compartilhar.”

Da agrofloresta à mesa
A conexão entre gastronomia e conservação ambiental é resultado de um trabalho desenvolvido pela família Haberkorn ao longo de mais de 20 anos.
Geógrafo e agrofloresteiro, Alexandre Haberkorn é responsável pelos plantios e pelo reflorestamento da Reserva Morros Verdes. O projeto familiar também conta com suas irmãs Patrícia Haberkorn, à frente da gestão, e Daniela Haberkorn, responsável pela decoração e pelo design.
Durante entrevista ao Diário do Turismo, Alexandre destacou o potencial ainda pouco explorado dos alimentos nativos da Mata Atlântica.
“A gente ainda está aprendendo, conhecendo o potencial dos ingredientes da Mata Atlântica. É muito grande”, afirmou.
Entre os exemplos citados estão a juçara, os cogumelos, as plantas alimentícias não convencionais (PANCs) e as especiarias nativas.
Para Alexandre, a parceria com o Capim Santo representa também uma oportunidade de ampliar o conhecimento sobre esses produtos e fortalecer sua utilização na gastronomia brasileira.
“Por que a gente usa tanto essas coisas que são de fora? É importante valorizar o que é nosso”, questionou.
A proposta dialoga com a trajetória de Morena Leite, que construiu a identidade do Capim Santo a partir da valorização dos ingredientes brasileiros e da relação entre alimentação, cultura e hospitalidade.

Turismo regenerativo e valorização das comunidades
Além da atuação na Reserva Morros Verdes, Alexandre é idealizador do Banana Bamboo Ecolodge, em Ubatuba, ao lado de sua companheira, a gestora ambiental Luciana de Sá Nogueira.
O empreendimento nasceu em 2016, quando o casal adquiriu uma área de 25 hectares que anteriormente abrigava pastagens e plantações de banana. Desde então, foram plantadas mais de 10 mil mudas de diferentes espécies da Mata Atlântica, transformando a propriedade em uma agrofloresta.
O projeto utiliza técnicas de bioconstrução com bambu, energia solar, aproveitamento da água da chuva e tratamento biológico de efluentes.
Na entrevista, Alexandre explicou que a proposta do Banana Bamboo é aproximar o visitante da floresta e permitir que ele compreenda, na prática, a origem dos alimentos.
“Você leva o hóspede para dentro da floresta, mostra a juçara e, depois, ele vai para a cozinha e toma o suco de juçara. É muito vivo, muito na prática.”
Segundo ele, essa experiência traduz o conceito de turismo regenerativo, no qual a atividade turística busca contribuir para a recuperação ambiental e para o desenvolvimento das comunidades.
O Banana Bamboo também recebe eventos e retiros voltados ao bem-estar, com experiências relacionadas à alimentação, ao corpo e à mente.
Alexandre ressaltou que a parceria com o Capim Santo está alinhada a outro princípio compartilhado pelos empreendimentos: a capacitação e a contratação de profissionais das comunidades locais.
“Um dos princípios é justamente capacitar e empregar a comunidade local. É desafiador, é um custo a mais que a gente tem carregado, mas vale a pena. É transformador.”
O compromisso com a contratação e a capacitação de trabalhadores da região também integra o modelo de atuação do Banana Bamboo.

Formação profissional também aproxima os parceiros
A dimensão social da parceria foi reforçada por Morena Leite durante sua apresentação.
A chef destacou a atuação do Instituto Capim Santo na formação gratuita de profissionais da gastronomia. Segundo ela, a iniciativa mantém 32 escolas de cozinha e forma aproximadamente cinco mil pessoas por ano, em parceria com outras instituições.
O trabalho se conecta à proposta defendida por Alexandre de gerar oportunidades nas comunidades próximas aos empreendimentos.
Certificados como Empresas B, o Grupo Capim Santo e a Reserva Morros Verdes compartilham compromissos relacionados à biodiversidade, à responsabilidade socioambiental e ao desenvolvimento de modelos de negócios com impacto positivo.

Experiência em grandes eventos fortalece a parceria
Durante sua apresentação, Morena Leite relembrou a trajetória do grupo, que começou em Trancoso e ampliou suas operações para restaurantes, buffet, alimentação corporativa, hospitalidade e formação profissional.
Entre os eventos mencionados pela chef estão Fórmula 1, Stock Car, Rock in Rio e Cirque du Soleil, além de casamentos e encontros empresariais.
Essa experiência passa agora a integrar a operação da Reserva, que pretende ampliar sua presença no mercado de eventos sem perder a identidade construída em torno da natureza e da produção orgânica.
Para Alexandre Haberkorn, a mudança representa a consolidação de uma atividade que já vinha se desenvolvendo na propriedade.
O novo posicionamento reúne, assim, três frentes que se complementam: uma estrutura preparada para receber grupos, a experiência gastronômica do Capim Santo e a produção de alimentos vinculada ao trabalho de regeneração da Mata Atlântica.
Mais do que uma mudança de nome, a Reserva Morros Verdes passa a apresentar ao mercado uma proposta na qual eventos, gastronomia e conservação ambiental fazem parte de uma mesma experiência.

Reserva Morros Verdes — Ibiúna (SP)
- Reserva Morros Verdes
- Estr. Terra Boa, S/N – Ibiúna, SP, 18150-000, Brasil
- Eventos corporativos: (11) 91117-3738
- [email protected]
- Reservas e WhatsApp: (11) 99924-2228
- Recepção: (11) 91557-2537
- www.fazendamorrosverdes.com.br
Grupo Capim Santo
- Av. Brig. Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano, São Paulo – SP, 01451-000
- Telefone: (11) 3032-2277
- restaurantecapimsanto.com.br
Banana Bamboo Ecolodge — Ubatuba (SP)
- Banana Bamboo Ecolodge
- Estr. do Pasto Grande, 2145 – Ubatumirim, Ubatuba – SP, 11680-000, Brasil
- Hospedagem e eventos: (12) 99600-2145
- Recepção: (12) 99630-2145
- [email protected]
- www.bananabamboo.com.br




