Projetos selecionados estão espalhados pela capital, litoral e interior e incluem museus, praias acessíveis, turismo de aventura e uso de realidade virtual
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Setur-SP
Quinze iniciativas voltadas ao turismo acessível foram reconhecidas pelo Governo de São Paulo na segunda-feira (14), durante evento realizado no Centro TEA Paulista, na zona oeste da capital. Os projetos se destacaram entre 308 ações mapeadas em diferentes regiões do estado.
O levantamento nasceu de uma parceria entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).
A pesquisa, conduzida pela EACH-USP, buscou identificar, analisar e divulgar boas práticas capazes de ampliar a inclusão de pessoas com deficiência e outros públicos com necessidades específicas nas atividades turísticas.
Das 308 iniciativas identificadas, 70 avançaram para a etapa final. A seleção dos 15 projetos reconhecidos considerou aspectos como inovação, alcance das ações, participação do público-alvo e possibilidade de replicação em outros destinos.
“O turismo é transversal e os destinos paulistas recebem cada vez mais visitantes que buscam experiências personalizadas. Entender a maturidade de cada destino e mapear essas boas práticas de inclusão resultará na multiplicação dessas iniciativas, promovendo destinos mais responsáveis e inclusivos”, afirma a secretária de Turismo e Viagens, Ana Biselli.
Entre os projetos selecionados estão equipamentos conhecidos nacionalmente, como Museu do Ipiranga, Museu do Futebol e Pinacoteca de São Paulo, além de ações desenvolvidas no litoral, no interior e no ABC Paulista.
As iniciativas vão da adaptação de esportes náuticos em Bertioga ao uso de realidade virtual para tornar acessível um patrimônio histórico de Holambra.
“Este projeto mostra que a acessibilidade não é um detalhe, mas um critério central de qualidade no turismo paulista. As 15 iniciativas premiadas foram construídas com a participação de pessoas com deficiência e provam que é possível transformar museus, praias, indústrias e patrimônios históricos em espaços verdadeiramente universais. Nosso papel como Estado é reconhecer essas práticas e ajudar a replicá-las em todo o território paulista”, afirma Marcos da Costa, Secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo.
Capital reúne museus e experiências sensoriais
A cidade de São Paulo concentra cinco das iniciativas reconhecidas. Uma delas é a estrutura de Inclusão e Acessibilidade em Grandes Eventos da Prefeitura de São Paulo, que incorporou medidas de acessibilidade ao planejamento de festivais e eventos urbanos.
O Museu do Ipiranga também aparece entre os destaques. Após o processo de restauração, o espaço passou a contar com rotas acessíveis, recursos táteis e adaptações arquitetônicas integradas ao edifício histórico.
No Museu do Futebol, o reconhecimento leva em consideração a combinação de estrutura adaptada, recursos de comunicação e participação de profissionais com deficiência.
A Pinacoteca de São Paulo foi selecionada pelas políticas institucionais de diversidade, programas educativos e iniciativas destinadas à redução de barreiras físicas e sensoriais.
Outro projeto da capital é o Avenida Paulista às Cegas, realizado em parceria com o Santos às Cegas. A proposta oferece uma nova forma de conhecer o patrimônio urbano por meio de recursos como mediação tátil, maquetes em 3D e experiências de mobilidade pela cidade.
ABC aposta em ciência e turismo industrial
No ABC Paulista, Santo André e São Bernardo do Campo foram reconhecidos por ações que ampliam a participação de pessoas com deficiência em diferentes experiências turísticas.
Em Santo André, a Sabina Escola Parque do Conhecimento adaptou parte de seu acervo interativo e investiu na capacitação de funcionários em Libras.
São Bernardo do Campo foi selecionada pela Linha Inclusiva no Turismo Industrial. O roteiro oferece acesso ao patrimônio fabril da cidade e busca aproximar visitantes com deficiência da história industrial do município.
Socorro leva acessibilidade ao turismo de aventura
No Circuito das Águas Paulista, Socorro aparece com uma iniciativa ligada ao ecoturismo e ao turismo de aventura.
A Rede dos Sonhos adaptou equipamentos e atividades realizadas em ambiente rural para permitir a participação de pessoas com deficiência. A proposta inclui modalidades relacionadas ao turismo de aventura, com estruturas desenvolvidas para ampliar segurança e acessibilidade.
Tecnologia e participação marcam projetos do interior
Outras três cidades do interior paulista aparecem entre as selecionadas: Jundiaí, Holambra e Tupã.
Em Jundiaí, a Festa da Uva e a ExpoVinho incorporaram ações de acessibilidade ao planejamento das edições, incluindo a presença de pessoas com deficiência entre visitantes, artistas e integrantes das equipes.
Holambra foi reconhecida pelo uso de realidade virtual no Moinho Povos Unidos. A tecnologia possibilita que visitantes com mobilidade reduzida conheçam áreas internas do patrimônio que apresentam limitações de acesso físico, sem necessidade de intervenções estruturais no prédio histórico.
Já o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, em Tupã, se destacou pela criação de um acervo tátil elaborado com participação de povos indígenas e pessoas com deficiência.
Litoral tem surf adaptado, praia acessível e excursões
No litoral paulista, Bertioga teve duas iniciativas incluídas entre as melhores práticas.
O projeto Onda BGF desenvolve soluções de tecnologia assistiva para modalidades como surf, caiaque e stand up paddle adaptados.
Também em Bertioga, o Sesc foi reconhecido pelas ações de acessibilidade em diferentes áreas de sua unidade, incluindo trilhas, praia e hospedagem.
Em Caraguatatuba, o Programa Praia Acessível oferece banho de mar assistido e atividades físicas para pessoas com deficiência e idosos, além de funcionar como espaço de convivência junto à praia.
São Sebastião completa a lista com o projeto Pé na Estrada. A iniciativa municipal promove excursões gratuitas e acessíveis para pessoas idosas e pessoas com deficiência, buscando reduzir obstáculos financeiros e de deslocamento para a participação em atividades turísticas.





