Um Pacto Federativo para o Turismo Receptivo 

por Vadis da Silva e Nara Spada*

A hotelaria nacional reúne todas as credenciais para liderar um grande pacto nacional de transformação da realidade do seu segmento e do turismo nacional.

O comunicado de que o hotel Novo Mundo (RJ), encerrará suas atividades ainda no final deste mês de março, seguindo o mesmo caminho, somente nos últimos 24 meses, de outros 16 ícones da hotelaria carioca e, nesta mesma rota, sem volta, por 21 ícones da capital baiana, Salvador;  12 da capital gaúcha, Porto Alegre; 8 das capitais Pernambucana e Mato-grossense, Recife (4) e Cuiabá (4), respectivamente, além de outros não de menor importância das cidades de Belo Horizonte (MG), Manaus (AM), Campos dos Goytacazes e Macaé, no Estado do Rio, Salto (BA), Bagé e São Gabriel, no Rio Grande do Sul, Várzea Grande (MT), Camocim (CE), Blumenau (SC), Santos (SP), além do Super Clubs que encerrou contrato de gestão do único hotel da rede no Brasil, o Breezer Búzios Resort & Spa (RJ).

Esta é apenas uma pequena lista, rapidamente levantada por qualquer um que acompanha de perto o setor, dentre muitos outros, Brasil afora, talvez menos icônicos, contudo, muito importantes para o turismo e as economias dos seus destinos, e que não são destacados pelos grandes veículos de comunicação.

Considerando que a construção de um hotel leva, no mínimo, três anos entre – a análise do mercado, a tomada de decisão, o planejamento e a construção -, se pode aferir que o dano causado para o turismo e a economia local com esses encerramentos de atividades são gigantes, além de abrir espaço para uma inovadora concorrência, como a do Airbnb,  que num “estalar de dedos”, no mesmo período demandado para a construção de um empreendimento hoteleiro pode atrair à sua plataforma, conservadoramente falando, mais de 100 mil “anfitriões” com uma oferta superior a 300 mil quartos, passando a concorrer com uma diária média entre 30% a 50% mais baratas do que as oferecidas pelos hotéis locais. Nestas condições, como fomentar a abertura de um novo empreendimento hoteleiro, especialmente no interior do Brasil, destino de menos de 45% dos empreendimentos em atividade?

As características próprias da atividade do turismo evidenciam que o enfrentamento do enorme desafio de estancar esta taxa de mortalidade do setor é um problema complexo e multifacetado, não estando adstrito ao setor empresarial e, do acerto das decisões de negócios dos empreendedores hoteleiros ou das lideranças do segmento, mas sim, a solução requer a construção de uma engenharia de ações cooperadas, desencadeadas de forma sinérgica em nível nacional e por todos os atores, públicos e privados, da cadeia econômica do turismo.

A construção de uma “nova ordem”, um e-Marketplace do Turismo Receptivo Brasileiro, que alce a hotelaria nacional em novo patamar de competitividade é um caminho sem volta

A construção de uma “nova ordem”, um e-Marketplace do Turismo Receptivo Brasileiro, que alce a hotelaria nacional em novo patamar de competitividade é um caminho sem volta, no entanto, está umbilicalmente dependente desse novo modelo a ser construído para o turismo brasileiro dos novos tempos, para que possa expressar com concretude o que é cantado e decantado pelo setor – como maior gerador de postos de trabalho e oportunidades de negócios e redistribuidor de renda, dentre as atividades econômicas nacionais. Grande parte desta afirmação está apenas no campo do discurso vago, desconectado da prática e de ações concretas sem que se possam medir os seus resultados.

Portanto, se enganam aqueles que pensam que a solução dos problemas emergenciais da hotelaria brasileira está na dependência de decisões de gabinetes públicos, daqui ou acolá, e de legislações preventivas a concorrência; está sim, e necessariamente, dependente da construção de um verdadeiro “pacto federativo em prol do turismo receptivo”, que congregue produtores, varejistas, destinos e o consumidor final, os viajantes e turistas, para que, sob a égide desta nova postura o setor posse usar as ferramentas oferecidas pelo universo da conectividade, da cooperação e do consumo compartilhado e, em rede e na rede conquistar   autonomia para gerir, promover, distribuir e comercializar de forma cooperada o turismo dos seus destinos.

É necessário destacar, por justiça que, ao longo do tempo, especialmente nos últimos anos, muito foi feito por todos os elos que formam a cadeia do setor.  Contudo, agora é necessário ainda fazer mais e com muito maior rapidez e inovação se quisermos alcançar o grau de competitividade que desejamos e, à altura do potencial do nosso turismo.

Como exemplo, segundo estudos da Gestour Brasil, a implantação de um e-Maketplace do Turismo Receptivo Brasileiro, como resultado concreto deste pacto nacional, poderia já estar gerando, se considerarmos a comercialização apenas de 22,7% da oferta de unidades habitacionais disponibilizada pela hotelaria nacional, a uma diária média de R$200,00, uma  economia aos empreendedores da hotelaria, anualmente, mais de R$ 710 milhões com a redução de custos comerciais diretos e outros R$1,75 bilhão, em aumento das receitas dos mais de 26 mil meios de hospedagens (92,22% deles, independentes, e  84,57% com menos de 50 UHs ) e, ainda, dos mais de 22 mil agentes de viagens (hoje, majoritariamente atuando exclusivamente no emissivo), que poderiam estar disponibilizando o receptivo brasileiro para ser comprado de forma on-line e em tempo real, pelos seus clientes.

Ainda, somente com a comercialização de meios de hospedagens, no âmbito deste grande acordo, os destinos brasileiros poderiam estar sendo beneficiados com um reinvestimento superior a  R$1,5 bilhão em ações de promoção comercial do seu turismo receptivo e,  com um montante superior a R$150 milhões que poderiam estar engordando a arrecadação da conta
”ISS Turismo” dos destinos sedes.

Pasmem! Esses enormes volumes financeiros gerados pelo setor da hotelaria nacional que, de tão bons se parecem até irreais, já estão em valores maiores aos citados sendo comercialmente obtidos, contudo, concentrado às mãos de menos de uma dezena de players, sediados em apenas 4 cidades brasileiras, quando poderiam estar gerando benefícios para o desenvolvimento e  fortalecimento integrado de toda a cadeia do turismo nacional.

Sim, não se alcançará resultados diferentes fazendo sempre da mesma forma. É possível pensar e agir de forma diferente e provocar essa verdadeira revolução no setor.

Essa deve ser uma bandeira. Uma causa em favor do turismo receptivo brasileiro.

É possível pensar e agir de forma diferente e provocar essa verdadeira revolução no setor.

As ferramentas estão à mesa! O momento é mais que o oportuno e é necessário.

É chegada a hora de o setor hoteleiro brasileiro assumir as rédeas e liderar o processo de transformação inovadora do seu segmento e da economia do turismo nacional.

A 61ª edição do Congresso Nacional de Hotéis – Conotel e a Equipotel Regional  2019, a ser realizado de 08 a 10 de Maio, próximo, na cidade Goiânia, é o fórum ideal para o aprofundamento da discussão e o ponto de largada para esta transformação inovadora – o “Pacto federativo em prol do turismo brasileiro”.

Vadis da Silva e Nara Spada – são sócios da Gestour Brasil e fundadores da plataforma Gestour eMarketplace que estrutura o e-Marketplace do Turismo Brasileiro, premiado no “Prêmio Nacional do Turismo 2018” na categoria Promoção e apoio a comercialização – www.turismomeunegocio.com.br e www.gestour.com.br

Redação
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