Como destruir um Conselho Municipal de Turismo em 5 passos

RETRÔ 2018 – Publicado dia 6 de junho

por Eduardo Mielke*

Hoje aponto cinco principais erros ou passos que vejo por aí, e de forma recorrente, que podem e irão destruir qualquer Conselho Municipal de Turismo COMTUR. Evitando estes “caminhos das trevas”, torna-se mais fácil criar um ambiente institucional onde o engajamento das pessoas seja convertido em resultados efetivos!!!  Então vamos lá…

PRIMEIRO PASSO – SORRIR, CONCORDAR…SEMPRE, MAS NÃO NO COMTUR.

Quando todos concordam com tudo, ninguém discute nada e sempre tudo está bem, as pessoas de fundamento não vão mais. E as que ficam, ao sairem da reunião, entram na primeira cafeteria, e fazem ali a reunião que deveria ter acontecido lá dentro. Atitudes  “petit comité” como esta, minam qualquer tipo de confiança fazendo com que as pessoas não acreditem mais no porquê de ali estarem. E o que é pior, quando as pessoas se sentem excluídas elas saem. E o que se perde é o valor da opinião e visão que podem fazer a diferença. O não debate compromete e a não inclusão das pessoas afeta a qualidade das decisões, sendo um passo importante à destruição de qualquer conselho.

SEGUNDO PASSO – MARCO LEGAL FRACO.

Aqui destaco três pontos:

A) Certifique-se que na Lei do COMTUR contenha, além das demais atribuições de praxe, a de implementação das políticas de turismo no município. Isso é vital, pois traz ao COMTUR autonomia e, sobretudo, legitimidade. A deliberação sobre o implementar traz mais responsabilidade aos conselheiros sobre os resultados do próprio COMTUR e do Turismo no Município.

B) Que no texto da Lei estabeleça que o Prefeito não interfira na composição do COMTUR, sob nenhuma hipótese, e sobretudo na indicação do Presidente. E que garanta  também a minoria das cadeiras ao Poder Público.

C) Que a Lei do COMTUR esteja atrelada a Lei do FUMTUR (se existir) e, sobretudo ao Regimento Interno do conselho. Esta engrenagem jurídica é fundamental. O objetivo é deixar o conselho decidir sobre o seu próprio funcionamento. É importante que os conselheiros percebam que suas decisões estão sendo ouvidas e respeitadas. Isso  significa autonomia e legitimidade ao próprio conselho.

Sem a questão jurídica bem alinhada, o COMTUR será extinguido no médio prazo. Sem o poder necessário para, como instituição, enfrentar as dificuldades de igual para igual, as pessoas deixarão de acreditar na entidade. Simples assim. Vira reunião das lamentações…

TERCEIRO – COMPOSIÇÃO DESEQUILIBRADA

Fico muito feliz em ver as proporções de 1/3 do Poder Público e 2/3 da Sociedade Civil sendo praticadas por aí.  De fato. Turismo é uma atividade comercial e portanto, deve ser encabeçada pelo empresariado e entidades. Não obstante, destaco dois pontos:

A) Com relação ao empresariado propriamente dito, é importante perceber quem está ocupando as cadeiras. Ainda que a união faz a força, ter os principais empresários ativos no conselho é vital. CNPJs fortes mostram força institucional e política. Costumo orientar que pelo menos 70 a 80% do PIB do Turismo deve estar sentado dentro do COMTUR de qualquer Município, incluindo entidades.

B) No lado Público, opte, para fazer parte do COMTUR, as secretarias que realmente são as que resolvem algo: Governo, Adm e/ou Planejamento, e é claro Turismo. Todas as outras instituições públicas, como Procuradoria, Meio Ambiente, Polícia Militar, etc, devem ser chamadas quando a pauta assim necessitar. Conselhos inflados de gente que não deve estar ali, engessam e destroem o dia-a-dia do conselho. Aqui qualidade é mais importante do que quantidade. Conselho de Turismo não é palanque. É ambiente de planejamento e análise, focada no que interessa.

QUARTO – AUSÊNCIA DE UMA AGENDA LEGISLATIVA

Não adianta reclamar no COMTUR sobre falta de segurança, ou que a Cidade está suja. É preciso jogar o jogo na arena onde se joga. Refiro-me a Câmara Municipal de Vereadores e suas respectivas Comissões. É lá que o poder coletivo deve ser utilizado como pressão para que o Executivo, que só funciona por demanda, faça com mais eficiência o seu papel.  E para isso, é preciso criar uma agenda de trabalho com o legislativo do município. COMTURs não terão vida longa, e se tornarão menos eficientes se não tiverem esta pauta como seu modus operanti. De qualquer outra forma, vira reclamação de balcão de botequim, bem do tipo “cão sarnento”. Vira assuntinho…

QUINTO – VÍRUS DO “ASSUNTINHO” E “VIAJANDO NA MAIONESE” 

COMTUR é desenhado para resolver assuntos que influenciam diretamente o acesso ao mercado (mais negócios = eventos + turistas) e governança (tomada de decisão sobre as ações tático-operacionais). Ponto. Qualquer outro assunto vira “assuntinho”. A perda de objetividade é um dos maiores problemas que percebo nos COMTURs. Ela destrói o conselho e o seu moral, deixando ela rapidamente desacreditada. E o que é pior, assuntinhos fazem isso de forma quase que imperceptível. Só serve para desmotivar, desmobilizar e fazer com que as pessoas encarem o COMTUR como mais uma reunião para “tomar cafezinho”  ou perda de tempo.

Lembre-se. COMTUR não foi feito para resolver todos os problemas, nem ser a extensão ou substituição da Sectur. Menos é mais sempre. Pense nisso.

Dúvidas, esclarecimentos? Escreva. Curta a fanpage @politicadeturismo

Para quem não me conhece, meu nome é Eduardo Mielke. Meu trabalho é auxiliar Governos na busca por  processos cooperativos que resultem numa melhor articulação entre ele, Terceiro Setor e o Empresariado. O resultado e o que importa mesmo, é a geração de emprego e renda local. O resto é conversa fiada.

Palestras, Workshops e treinamentos? Escreva para eduardomielke@yahoo.com.br

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