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COP30 em Risco: preços exorbitantes em hotéis de Belém ameaçam inclusão

A poucos meses da COP30, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro de 2025 em Belém (PA), a realização da conferência climática encontra‑se sob crescente pressão — não por falta de legitimidade política, mas pela elevação descontrolada dos preços de hospedagem, que coloca em xeque a participação plena de delegações de países mais vulneráveis e pode comprometer a própria representatividade do evento.

CONSELHO EDITORIAL DO DIÁRIO

O governo federal e órgãos vinculados emitiram nota oficial reforçando o caráter inclusivo da COP30, informando que o plano de hospedagem segue fases pré‑definidas, priorizando delegações nas negociações oficiais, tendo já disponibilizado 2.500 quartos, com mais 2.700 liberados e outros 497 acrescidos — entre hotéis, imóveis via Airbnb, navios e similares, somando cerca de 53.003 leitos na região metropolitana de Belém. 

Entretanto, a realidade do mercado se impõe com força: delegações relatam preços até 10 a 15 vezes superiores aos habituais, enquanto consultas chegam a US$ 700 ou mais por noite, e até R$ 242 638 por 11 noites em um apartamento — impressionantes cifras que já motivaram emergenciais reuniões da ONU e pedidos para relocação da conferência.

O Instituto Internacional Arayara também ajuizou Ação Civil Pública no Tribunal de Justiça do Pará, requerendo liminar para interromper os reajustes abusivos, impor teto temporário e regulamentar preços durante o evento.

Sob pressão diplomática crescente — com cartas de países como Áustria, Holanda, Canadá e outros —, o governo brasileiro lançou plataforma oficial de reservas com preços diferenciados: entre US$ 100 e US$ 220 para países menos desenvolvidos, e até US$ 600 para demais delegações, além de 3.900 cabines em cruzeiros como alternativa.

Ainda assim, organizações da sociedade civil, diplomatas do Sul Global e especialistas alertam que esses valores permanecem fora do alcance de muitos — e que a omissão governamental diante da especulação expõe desigualdades historicamente condicionadas à periferia verde da Amazônia. 

*O Conselho Editorial é composto por jornalistas colaboradores do DIÁRIO

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