Com 80 expositores presentes, a edição do evento anual, promovido pela ABIH-SC, recebeu 5.517 visitantes, crescimento de 15% se comparado ao público presente na edição de 2025, conforme aponta o levantamento da organização algumas horas antes do encerramento. O espaço do CentroSul, em Florianópolis (SC), foi o ponto de encontro de empreendedores e profissionais do setor hoteleiro, entre os dias 11 e 13 de agosto, em busca de novidades em produtos, serviços e tecnologias voltadas a estimular a engrenagem da operação, além de conteúdo disponibilizado àqueles que se encontram ligados aos diversos postos da gestão hoteleira.
por Cecília Fazzini, de Florianópolis*
Margot Rosenbrock, diretora-presidente da ABIH-SC, fez um balanço sobre a edição. “Além de um número crescente de visitantes, o evento recebeu pessoas vindas de 150 cidades diferentes de Santa Catarina e de 17 estados da Federação.” O networking foi assinalado pela dirigente: “Sinto as pessoas felizes por se encontrar, o trade turístico e os hoteleiros fazem contato e ficamos muito gratos por podermos nos ver pessoalmente, num mundo onde hoje predomina a comunicação virtual.” Ela ressalta que o encontro se constitui num ecossistema do turismo e da hotelaria.

Temas pontuais
Dois assuntos que dominaram as conversas pelos corredores do 37º Encatho & Exprotel, reforma tributária e avanço da tecnologia aplicada aos meios de hospedagem, se encontram no radar de Rosenbrock. “Acredito que a reforma tributária seja um assunto que está na pauta de todos os empresários conscientes neste momento e tecnologia, tema de muitas palestras, está relacionada à busca do gestor por excelência”, confirmou.
Outro assunto que chamou a atenção, de acordo com ela, foi a abordagem em palestra sobre consumo e economia de energia elétrica, ao constatar a expertise de quem está pensando em soluções para o custo nos hotéis. “No geral, os painéis debateram questões que realmente impactam a melhoria da operação e o que consome os recursos na hotelaria.”

Cenário
Para quem está à frente da entidade, que reúne os hotéis catarinenses associados, 2026 está se mostrando um ano delicado. “Tivemos a Copa do Mundo e estamos em meio a um período eleitoral e, no campo ambiental, as incertezas quanto ao El Niño também tornam o turismo no Sul do Brasil mais frágil”, constatou. O quadro pede, conforme Rosenbrock, que os empresários estejam muito atentos à redução de despesas do hotel, sem afetar a experiência do cliente. “Não dá, por exemplo, para diminuir os itens do café da manhã”, considerou.
Os clientes querem experiências cada vez mais impactantes e mais alinhadas àquilo que contrataram e desejam viver naquele momento. Então, reflete ela, onde podemos economizar de maneira inteligente? Aposta com segurança que o hoteleiro e o empresário se encontram atentos às oportunidades.
Convívio com plataformas online
Sobre o aluguel realizado pelas plataformas online (Airbnb), o entendimento é de que a discussão amadureceu muito no último ano. “De forma alguma somos contra esses aluguéis. Essa é mais uma evolução que a tecnologia nos trouxe”, amenizou Rosenbrock.
Mas, de qualquer forma, os hotéis estão conscientes e convictos, segundo atestou, de que, mesmo com a rapidez da tecnologia, a legislação precisa acompanhá-la. Esse setor existe e concorre com a hotelaria. Entretanto, o que o setor persegue é a equidade, com o recolhimento de impostos, porque o tempo em que essa realidade persiste “já houve tempo suficiente de uma solução de regularização e tratamento igualitário, uma concorrência que precisa ser justa”.

Força regional
Certa da representatividade do Encatho & Exprotel, a presidente da ABIH-SC mostra otimismo em alta potência. “Se pensarmos em um evento que agrega o trade do Sul do Brasil e proporciona esse networking e negócios no mesmo espaço, apesar de não ser um espaço de promoção, em algum momento, quem sabe, possamos nos tornar o maior evento do País.”
A valorização dos atrativos regionais, atenuando a marca de Santa Catarina com foco apenas em sol e praias paradisíacas, coloca no centro da estratégia pequenas cidades, algumas com 4 mil ou 5 mil habitantes, que começam a se perceber como possíveis destinos turísticos. Rosenbrock salienta que pequenos empresários identificam algo que gostariam de compartilhar com mais pessoas. “De repente, isso se transforma em uma cabana, depois já é uma pousada e, em seguida, começa a oferecer experiências.”
Não poupou elogios ao turismo oficial catarinense que, segundo ela, tem mantido um olhar muito distribuído pelo interior. Não está promovendo apenas um destino, o olhar se expandiu para o Meio-Oeste, o Grande Oeste e o Extremo-Oeste do estado.
*A jornalista viajou convidada pela Encatho com seguro viagem da GTA




