DIÁRIO participa das homenagens às vítimas, em Medellín, e conhece o coração colombiano

15 ANOS DIARIOS – Publicado dia 3 de dezembro de 2016

Entre gritos de “Chapê, Chapê!” e inúmeras outras manifestações de apoio, estádio Atanásio Girardot rompe fronteiras para a solidariedade frente ao acaso e seu luto inoportuno

 por Marcos Sokabe – (repórter freelancer do DIÁRIO

Embora comumente se pense o contrário, não há limites para o gesto humano puro quando este envolve solidariedade e empatia. Uma multidão lotou o estádio Atanasio Girardot nesta quarta-feira (30), em Medellín, Colômbia, para homenagear as vítimas da maior tragédia futebolística e jornalística da história, infelizmente ocorrida nos entremeios da madrugada dos dias 28 e 29 de novembro.

Mais de setenta pessoas compunham a delegação que participaria do primeiro jogo da final da copa sul-americana entre as equipes da Chapecoense e Atlético Nacional, seja dentro das quatro linhas, ou, fora delas durante a cobertura dos veículos esportivos em campanhas internacionais.

Povo colombiano lota estádio e comunica ao mundo que nossos corações pulsam em sintonia, indiferente as regiões limítrofes e terrenas de nação para nação. Foto: Marcos Vinícius Sokabe Ribeiro) 
Povo colombiano lota estádio e comunica ao mundo que nossos corações pulsam em sintonia, indiferente as regiões limítrofes e terrenas de nação para nação. Foto: Marcos Vinícius Sokabe Ribeiro)

Com capacidade máxima, os gritos eufóricos de incentivo, típico-motor dos torcedores colombianos apaixonados, deram lugar para uma voz uníssona que ecoara por todo o estádio,  ainda que o sentimento presente correspondesse mais a um conforto que exclusivamente um abraço é capaz de fornecer. Aos familiares, ao povo brasileiro e a qualquer um que se comova perante a um golpe do acaso de tamanha magnitude, o caldeirão de Medellín transmutara-se num grande pico de distribuição gratuita de centelhas de esperança. Deram-nos a prova de que nenhuma vida é em vão para a história que segue como locomotiva e toda e qualquer sempre permanece viva independentemente das circunstâncias, por mais torrenciais e aterradoras que pareçam.

(Balões percorreram o céu. Flores foram atiradas no gramado. Tais gestos solidificaram a generosidade humana em toda sua potência. Foto: Marcos Vinícius Sokabe Ribeiro)
(Balões percorreram o céu. Flores foram atiradas no gramado. Tais gestos solidificaram a generosidade humana em toda sua potência. Foto: Marcos Vinícius Sokabe Ribeiro)

Balões brancos preenchiam o céu noturno de Medellín, sendo soltos um a um conforme os nomes das vítimas eram declamados. Seguidos, já ao final da homenagem, por flores também brancas atiradas no gramado pelo quase infinito de indivíduos ali presentes em corpo e principalmente alma.

Após o minuto de silêncio completamente recheado pelas luzes de celular e velas que procuravam imitar constelações e toda a poética doravante delas, o estádio inteiro unira-se para urrar – como se a verdadeira expressão humana derivasse do coração e não das cordas vocais propriamente – “Olê, olê, olê… Chapê, Chapê!”.

Outra massa de pessoas, por volta de vinte mil, acompanhavam de fora as homenagens por telões postos nos arredores do centro ocidental da cidade.

Autoridades Emocionadas

(Autoridades internacionais e colombianas discursam. Foto: Marcos Vinícius Sokabe Ribeiro)
(Autoridades internacionais e colombianas discursam. Foto: Marcos Vinícius Sokabe Ribeiro)

José Serra, ministro de relações exteriores do Brasil, emocionara-se com a atitude dos colombianos; tanto devido à imensa homenagem desta noite quanto pelo pedido de que o título fosse dado para a chapecoense. Não conteve-se e acabou por derramar lágrimas e interrupções forçosas pelo soluço único que o choro desesperado desencadeia:

“Muito obrigado, Colômbia. Jamais nos esqueceremos da forma como vocês sentiram o desastre e a interrupção do sonho deste time heroico da Chapecoense, e, a sugestão de que dessem o título para a equipe brasileira. Parece um conto de fadas com final trágico”, encerrara com os olhos mareados.

Ademais, Juan Carlos de La Cuesta, presidente do Atlético Nacional, completara os diversos discursos – governador da Antioquia, mulher de um dos jogadores do time de Medellín e afins – convidando todos os presentes para uma reflexão necessária:

“Hoje é um momento para a reflexão… entender que a vida é o mais importante. Convidamos para que o momento seja de união e convivência, é o que todos nós almejamos.”

————————–

*O repórter viajou a Medellin a convite do Convention Bureau da cidade para cobrir a abertura dos eventos do Natal – Marcos Sokabe viaja com Assistência GTA

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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