Educação e Medo

Por Bayard Boiteux*

O Rio de Janeiro passa por uma das maiores crises institucionais, no que diz respeito à segurança. O Estado deixou de pagar seus servidores, não disponibiliza apoio logístico para as operações e carece de uma política efetiva de Segurança. Estamos todos com medo. Medo de sair de casa. Medo de pleitear nossos direitos e medo de exercer nossa cidadania. É um caos que nos cerca e que nos atemoriza.

Vivemos um momento em que tudo passa por delações e que elas para livrarem os poderosos do cárcere vão envolvendo, a cada dia que passa mais políticos numa estrada sem volta. Nossa imagem institucional nunca esteve tão abalada e não me venham, por favor, algumas entidades de classe, criticar a faixa que policiais ergueram, ontem no Aeroporto Tom Jobim, informando que estão sem salários e que a situação é de “inferno”. As mesmas associações que criticam a faixa se omitem na falta de recursos destinados ao BPTUR, hoje um batalhão descaracterizado e a falta de investimento do governo estadual, no Turismo.

“Nossa imagem institucional nunca esteve tão abalada e não me venham, por favor, algumas entidades de classe, criticar a faixa que policiais ergueram, ontem no Aeroporto Tom Jobim, informando que estão sem salários e que a situação é de “inferno”

Estamos vivendo um momento de medo explícito em todas nossas relações. Trancados em nossos condomínios super seguros, gravitamos num universo em que a inexistência de um programa de trabalho efetivo faz com que as ações assistenciais sejam consideradas salários indiretos de sobrevivência.

O turismo pensa que as Olimpíadas vão salvar o numero reduzido de visitantes estrangeiros que recebemos. Elas poderão num período pontual melhorar a percepção de retorno dos negócios turísticos, mas a grande preocupação é o “day after” quer trará uma outra realidade não planejada: o que fazer com tantos hotéis construídos no entorno da cidade Olímpica? Faltou mais uma vez um plano de marketing para responder ao pós-evento.

Eu torço por um grande evento, mas torço por uma cidade mais sustentável, com uma ciclovia construída dentro de parâmetros técnicos e sem risco de cair novamente.

Meu Rio de Janeiro precisa ser cuidado…

* Bayard Boiteux é Coordenador do curso de Turismo da Unisuam, vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ, gerente de turismo do Preservale e presidente do site Consultoria em Turismo.www.bayardboiteux.com.br

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