O projeto de turismo de base comunitária desenvolvido pelo povo Haliti-Paresi reúne o trabalho das próprias comunidades indígenas, da Prefeitura de Tangará da Serra, do Instituto Bancorbras, do Instituto Samaúma e da operadora de turismo sustentável Vivalá.
REDAÇÃO DO DIÁRIO
A iniciativa tem como eixo central o protagonismo indígena e busca transformar o turismo em instrumento de desenvolvimento econômico, valorização cultural e conservação ambiental.
Para Roberta Abreu, gerente executiva do Instituto Bancorbras, o projeto está alinhado à principal missão da instituição: fomentar o protagonismo social e fortalecer comunidades tradicionais.
Segundo ela, a proposta nunca foi criar um modelo de negócio para os indígenas, mas apoiar um processo que já nasce da própria comunidade. “Nosso papel é conectar essas iniciativas ao mercado, oferecendo direcionamento e aproximando os territórios do trade turístico, sem retirar deles o protagonismo.”
Roberta destaca ainda que o turismo regenerativo representa uma oportunidade para valorizar a diversidade cultural brasileira. “O turismo responde por uma parcela importante da economia nacional, mas o Brasil também possui enorme potencial no ecoturismo, no etnoturismo e na valorização dos povos tradicionais. Isso precisa ser reconhecido e fortalecido.”

Pedro Franco, do Instituto Samaúma e da Vivalá, explica que a operadora atua em mais de 30 unidades de conservação no país e que o Instituto surgiu justamente para levar essa experiência às comunidades tradicionais, como povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades calungas.
Segundo ele, o projeto Haliti-Paresi nasceu de uma demanda apresentada pelas próprias lideranças indígenas, por intermédio da Prefeitura de Tangará da Serra.
“Eles já haviam iniciado um trabalho e criado o projeto Menahehaliti, que reúne cinco aldeias voltadas ao turismo. O desafio era adaptar essa iniciativa ao mercado e fortalecer sua organização.”
Após conhecer o potencial da iniciativa, o Instituto Samaúma levou a proposta ao Instituto Bancorbras, parceiro já existente em outros projetos. A partir de meados de 2024, teve início um programa de capacitação conduzido pela Universidade Vivalá de Negócios.
Durante dez semanas, os indígenas participaram de atividades voltadas à comercialização, marketing, redes sociais, alimentação, atendimento e organização dos serviços turísticos. Pedro ressalta que a metodologia não impõe modelos prontos.
“Nosso objetivo nunca foi dizer o que eles deveriam fazer, mas apresentar ferramentas para que possam profissionalizar aquilo que já sabem fazer. A experiência é deles. O protagonismo é deles. Nós apenas apoiamos essa construção.”

Wilson Pereira, turismólogo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Tangará da Serra, lembra que o projeto começou em setembro de 2021, quando lideranças de cinco aldeias procuraram a prefeitura interessadas em desenvolver o turismo de base comunitária.
A partir desse primeiro contato, foi realizado um diagnóstico das aldeias para identificar potencialidades, infraestrutura e necessidades. Com essas informações, a prefeitura estruturou o projeto, buscou recursos financeiros e contratou uma consultoria especializada para apoiar sua implantação.
Após quase dois anos de trabalho, foi elaborado o Plano de Visitação, encaminhado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que concedeu a anuência necessária em 2024.
Em 2024, o Instituto Samaúma e a Vivalá passaram a integrar a iniciativa. Segundo Wilson, as instituições agregaram conhecimento técnico e aperfeiçoaram um projeto que já estava estruturado.
“Nós já tínhamos três roteiros de vivências turísticas organizados, envolvendo cinco aldeias. A Vivalá trouxe sua experiência para qualificar ainda mais esse trabalho, sem alterar sua essência, construída pelas próprias comunidades indígenas.”

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