A proposta que cria a possibilidade de reconhecimento de “turismólogo sem diploma” voltou a provocar forte repercussão entre profissionais e instituições ligadas ao setor turístico no Brasil. Liderado pela ONG Cores de Búzios, um manifesto público reúne estudantes, professores e especialistas contrários ao projeto que tramita no Senado Federal e que prevê o reconhecimento profissional de pessoas sem formação superior específica em Turismo.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
O movimento critica o chamado “turismólogo provisionado” e alerta para impactos negativos na educação, na pesquisa científica e nos cursos superiores da área. Para os organizadores, a proposta representa um risco à valorização acadêmica construída ao longo de décadas pelo setor turístico brasileiro.
Manifesto critica reconhecimento de turismólogo sem diploma
Segundo o documento divulgado pela ONG Cores de Búzios, o Turismo é uma área científica e multidisciplinar que envolve planejamento turístico, sustentabilidade, patrimônio cultural, políticas públicas, economia, hospitalidade, marketing e pesquisa acadêmica.
O manifesto afirma que a experiência profissional possui importância no mercado, mas não substitui a formação universitária, os estágios supervisionados, a pesquisa científica e a capacitação técnica exigidas ao longo da graduação.
Os organizadores também demonstram preocupação com a ampliação do reconhecimento profissional para graduados de áreas como hotelaria, gastronomia e eventos. O entendimento do grupo é que essas áreas dialogam com o Turismo, mas não equivalem à formação específica de turismólogo.
Professores alertam para impactos nos cursos superiores
Entre os principais pontos levantados pelo manifesto estão possíveis consequências para o ensino superior brasileiro, incluindo redução na procura pelos cursos de Turismo, fechamento de graduações e licenciaturas, além da precarização da pesquisa científica no setor.
O documento também menciona riscos de aumento do desemprego entre docentes e enfraquecimento da identidade profissional do turismólogo.
Outro ponto destacado envolve a Licenciatura em Turismo. Para os organizadores, a flexibilização proposta pode abrir precedentes para atuação educacional sem formação adequada, afetando diretamente a qualidade do ensino turístico no país.
ONG Cores de Búzios lidera mobilização nacional
O professor de turismo e presidente da ONG Cores de Búzios, Fernando Bertozzi, afirma que o debate sobre o projeto vai além da regulamentação profissional e envolve o futuro da educação turística brasileira.
“O turismo brasileiro levou décadas para construir sua base acadêmica e científica. Não podemos aceitar que uma profissão construída por estudantes, pesquisadores e professores seja reduzida à simples comprovação de experiência profissional. Experiência é importante, mas experiência não substitui formação superior específica. Regulamentar uma profissão deve fortalecer a área e proteger a educação, nunca fragilizá-la”, afirma.
Debate sobre turismólogo sem diploma mobiliza setor turístico
A discussão sobre o reconhecimento de turismólogo sem diploma vem mobilizando profissionais, estudantes e entidades ligadas ao Turismo em diferentes regiões do país. O tema ganhou força especialmente entre representantes acadêmicos, que defendem a valorização da formação superior como elemento fundamental para o desenvolvimento técnico e científico do setor.
Os manifestantes afirmam que o reconhecimento profissional deve caminhar junto com o fortalecimento da educação e da qualificação universitária na área turística.




