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Turismo cultural da Itália ganha força e revela nova geografia de viagens

Turismo cultural da Itália continua sendo o principal motor das viagens ao país e mostra uma transformação silenciosa na forma como visitantes exploram seus destinos históricos.

DA REDAÇÃO com agências internacionais

A Itália mantém uma posição privilegiada no cenário global quando o assunto é patrimônio histórico e artístico. Com 61 sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO — além da culinária italiana incluída na lista de patrimônio imaterial em 2025 — o país consolida seu protagonismo no turismo cultural da Itália, um segmento que continua atraindo viajantes de todo o mundo.

Mais do que a quantidade de monumentos, o que chama atenção agora é a forma como os visitantes interagem com esse legado. Novas análises da Data Appeal e da Mabrian, ambas integrantes do Grupo Almawave–Almaviva, mostram que 34,7% das motivações de viagem ao país estão diretamente ligadas à arte e à cultura.

O estudo, baseado em rastros digitais e preferências de viajantes coletados entre janeiro e dezembro de 2025, revela tendências importantes sobre comportamento, satisfação e redistribuição geográfica da demanda turística.

Quem viaja para as cidades de arte italianas

O perfil do visitante reforça o caráter social do turismo cultural. Casais representam 43% dos viajantes que visitam cidades de arte, seguidos por famílias, que correspondem a 28% do total.

Os viajantes solo representam 16%, registrando crescimento de 3% em relação ao ano anterior, o que aponta para uma busca crescente por experiências culturais mais independentes e personalizadas. Grupos organizados somam cerca de 12% dos visitantes.

No recorte por mercados emissores, o turismo doméstico continua sendo predominante. A própria Itália lidera o volume de avaliações online, enquanto a França mantém participação estável. Já a Alemanha apresenta leve retração, caindo de 7% para 5,5%, reflexo de mudanças recentes no comportamento de viagens dentro da Europa.

Turismo cultural da Itália
Os viajantes solo representam 16%, registrando crescimento de 3% em relação ao ano anterior, o que aponta para uma busca crescente por experiências culturais mais independentes e personalizadas (Crédito: Data Appeal )

Patrimônio histórico atrai, mas experiência define satisfação

Embora os monumentos icônicos continuem sendo a principal motivação para visitar o país, a satisfação do visitante está cada vez mais ligada ao conjunto da experiência turística.

As experiências gastronômicas alcançam índice de satisfação de 86,5/100, com crescimento anual, enquanto os indicadores de hospitalidade também evoluem. As acomodações registram 81,9/100 e os aluguéis de curta duração chegam a 84/100, ambos com melhora em relação ao ano anterior.

Esse cenário confirma que o sucesso do turismo cultural da Itália não depende apenas de seu patrimônio histórico, mas também da excelência em gastronomia, hospitalidade e qualidade do ambiente urbano.

Ícones históricos continuam liderando a visibilidade

Entre os monumentos mais populares de 2025, a Fonte de Trevi, em Roma, lidera em volume de avaliações com 53,1 mil registros, além de apresentar o maior crescimento anual entre os principais atrativos, com alta de 67% e índice de satisfação de 89,5/100.

O Coliseu aparece logo em seguida, com 52,4 mil avaliações e sentimento extremamente positivo de 92,5/100.

Na terceira posição surge o Duomo de Milão, com 26,7 mil avaliações e uma das melhores avaliações do ranking, 93,7/100. O Panteão e a Basílica de São Pedro completam o top cinco, sendo que São Pedro alcança impressionantes 94,1/100, demonstrando que altos fluxos de visitantes não necessariamente reduzem a qualidade da experiência.

Museus também continuam exercendo forte atração. Entre os mais citados estão o Museo Leonardo da Vinci Interattivo, em Florença, os Museus do Vaticano e o Parque Arqueológico de Pompeia, todos com índices de satisfação superiores a 95/100.

Um destaque curioso é a Casa de Julieta, em Verona, que registrou o maior crescimento anual no volume de avaliações entre museus públicos e privados, com alta de 19,1%, refletindo o interesse contínuo por narrativas culturais e locais simbólicos.

Novas análises da Data Appeal e da Mabrian, ambas integrantes do Grupo Almawave–Almaviva, mostram que 34,7% das motivações de viagem ao país estão diretamente ligadas à arte e à cultura.

Novos destinos culturais ganham protagonismo

Apesar de Roma continuar dominando em volume de visitantes, os dados indicam uma valorização crescente de destinos menos óbvios. Na Itália Central, cidades como Siena e Assis apresentam níveis particularmente elevados de satisfação entre visitantes.

No sul do país, Caserta (85,5/100) e Bari (85/100) aparecem entre os destinos culturais mais bem avaliados. A Reggia di Caserta figura entre os museus mais avaliados da Itália, enquanto o Museo Cappella Sansevero, em Nápoles, está entre os que mais cresceram em número de avaliações.

Essa expansão geográfica do interesse turístico está alinhada com tendências identificadas pela Mabrian para a Comissão Europeia de Viagens, indicando que visitantes internacionais estão explorando cada vez mais destinos além dos polos tradicionais da Europa.

Segundo Federica Amati, engenheira de vendas da Data Appeal, essa transformação revela uma mudança estrutural no setor. “A demanda cultural não está mais concentrada apenas nas capitais clássicas da arte italiana. Cidades do sul e destinos secundários estão fortalecendo sua reputação online, provando que experiências autênticas e locais se tornaram tão importantes quanto os marcos icônicos”, afirma.

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