A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço no turismo global e já provoca mudanças significativas na forma como empresas do setor se relacionam com viajantes, organizam operações e desenvolvem estratégias de vendas. A tendência aponta para um cenário em que a tecnologia deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ocupar papel central na experiência do consumidor.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Segundo dados da consultoria MarketsandMarkets, o mercado mundial de inteligência artificial aplicada ao turismo deve avançar de US$ 2,95 bilhões para US$ 13,38 bilhões até 2030. O crescimento médio anual projetado é de 28,7%, refletindo a rápida adoção de soluções voltadas à automação, personalização e análise de dados.
O avanço tecnológico ocorre em um momento de forte recuperação da demanda por viagens. De acordo com o Traveler Value Index 2025, divulgado pelo Expedia Group, 88% dos consumidores pretendem viajar em 2026. O levantamento também indica que a descoberta de destinos e a tomada de decisão estão cada vez mais conectadas a ferramentas digitais, redes sociais e experiências personalizadas.
Personalização ganha protagonismo
Para Rafael Cohen, CEO da Blis AI, traveltech especializada em agentes de inteligência artificial para o setor de viagens, o comportamento dos consumidores está redefinindo o papel das agências.
“As agências que continuarem apenas operando reservas e pacotes, tendem a perder espaço. A IA está mudando a expectativa do consumidor, que agora busca experiências personalizadas, respostas instantâneas e atendimento muito mais inteligente”, afirma.
Na avaliação do executivo, a capacidade de interpretar dados em tempo real representa uma vantagem estratégica para empresas que desejam se destacar em um ambiente cada vez mais competitivo.
“Hoje, a IA consegue entender perfil de viagem, orçamento, histórico de consumo e até preferências comportamentais para montar recomendações muito mais assertivas. Isso muda completamente o papel das agências”, explica Cohen.
Consumidor espera experiências sob medida
A busca por personalização não é uma tendência exclusiva do turismo. Um estudo da consultoria McKinsey aponta que empresas com crescimento acelerado obtêm, em média, 40% mais receita proveniente de estratégias de personalização quando comparadas a concorrentes de menor desempenho.
O levantamento também revela que 71% dos consumidores esperam receber experiências personalizadas das marcas com as quais se relacionam.
No turismo, esse cenário amplia a competição entre empresas, que passam a disputar clientes não apenas pelo preço ou pelos destinos oferecidos, mas pela capacidade de entregar soluções alinhadas ao perfil de cada viajante.
Digitalização acelera mudanças no setor
Além de transformar a experiência do consumidor, a inteligência artificial também impacta a estrutura operacional das empresas. A adoção de tecnologias avançadas exige investimentos em integração de dados, automação de processos e desenvolvimento de capacidades analíticas.
Para Cohen, esse movimento tende a favorecer organizações que já possuem maturidade digital.
“A IA exige investimento em tecnologia, integração de dados e capacidade analítica. Isso naturalmente favorece empresas mais preparadas digitalmente e pressiona modelos tradicionais que ainda dependem de processos manuais”, diz.
Confiança continua sendo fator decisivo
Apesar do crescimento das ferramentas baseadas em inteligência artificial, a confiança nas marcas permanece fundamental na decisão de compra. Um relatório recente da Expedia mostrou que muitos viajantes já utilizam recursos de IA para pesquisar e planejar viagens, mas ainda preferem concluir reservas com empresas consolidadas e reconhecidas pelo mercado.
O fenômeno foi classificado pela companhia como “AI Trust Gap”, expressão utilizada para definir a diferença entre o uso crescente da inteligência artificial durante a fase de planejamento e a necessidade de segurança no momento da contratação dos serviços.
O futuro das agências de viagens
Para especialistas, a inteligência artificial não elimina o fator humano, mas redefine o valor agregado oferecido pelas empresas do setor.
“O futuro do turismo não será sobre quem consegue vender mais pacotes, mas sobre quem consegue gerar mais inteligência, personalização e experiência para o viajante”, conclui Cohen.
Sobre a Blis AI
A Blis AI é uma traveltech brasileira especializada no desenvolvimento de agentes de inteligência artificial voltados à automação de operações no mercado de viagens. A empresa atua em processos como cotações, reservas, marcação de assentos, remarcações, cancelamentos, emissões e reembolsos, integrando suas soluções a sistemas utilizados por agências de viagens, companhias aéreas e consolidadoras.
Fundada por Rafael Cohen, Rodrigo Cioffi e Luiz Antunes, a startup opera no modelo B2B2C e utiliza tecnologia proprietária para executar processos operacionais por meio de canais conversacionais, incluindo plataformas web e WhatsApp. Após captar R$ 1 milhão em rodada pré-seed, a empresa aposta na especialização do segmento para ampliar eficiência e reduzir custos operacionais.



