Turismo Sustentável, mas não só na teoria – por Otaviano Maroja*

O turismo é, sem dúvida, um dos mais pujantes setores econômicos do mundo, principalmente no que se refere a faturamento e geração de empregos. Além de gerar movimento de pessoas e de divisas entre os destinos, mobiliza outros 50 segmentos em sua cadeia produtiva. Mas sem planejamento e ações práticas de sustentabilidade, os impactos ambientais, sociais e econômicos irreversíveis surgem na mesma proporção.

Com um número cada vez maior de viajantes em todo o Brasil, virou lugar comum a viabilização de projetos ambientais dispostos a conscientizar os turistas sobre a importância de preservar a natureza e ter atitudes sustentáveis. Ainda são tímidas, porém, as participações organizadas de empresários, prestadores de serviços e população local na conservação das belezas naturais.

Mas em Pernambuco, sustentabilidade já virou palavra de ordem. Há algum tempo, assistimos à destruição dos ovos das tartarugas e o desaparecimento de cavalos-marinhos. Hoje, temos dois importantíssimos e consolidados projetos em Porto de Galinhas, principal refúgio dessas espécies. Para completar, reforçamos nossa vocação para o ecoturismo, ao conservarmos baobás (árvore de origem africana) e recifes de corais.

Os profissionais que vivem do turismo no balneário já entenderam que a sustentabilidade é fator predominante no desenvolvimento de negócios, na preservação dos cenários paradisíacos e na aproximação de novos visitantes. Respeitar a autenticidade da região e utilizar da melhor forma os recursos naturais são fundamentais nesse processo. Paralelamente, são desenvolvidas práticas sustentáveis entre os turistas.

Este é um processo contínuo que demanda monitoramento dos impactos. Um dos primeiros trabalhos foi o de orientar os bugueiros a desviarem dos ovos das tartarugas durante os passeios. Para auxiliar nesse objetivo, a ONG Eco Associados (www.blogecoassicoados.blogspot.com.br) monta cercas no entorno dos ninhos durante a época de desova. Os hotéis e resorts ainda desligam os refletores na praia para evitar que os filhotes caminhem em direção aos muros, em vez de se guiarem pela luz da lua e entrarem no mar. Entre os meses de setembro de 2014 e fevereiro de 2015, já foram registrados os nascimentos de cerca de 1.700 filhotes. O período de desova estende-se até abril.

Outro monitoramento está relacionado ao Pontal de Maracaípe (manguezal), também um hábitat natural do cavalo-marinho. O Projeto Hippocampus (www.projetohippocampus.org), dedicado ao estudo biológico, cultivo e preservação de cavalos-marinhos, também conta com um espaço para que os visitantes possam conhecer os cavalos-marinhos em várias etapas de suas vidas.

Entretanto, as preocupações não se restringem a essas iniciativas. Por estar intimamente ligado ao recurso natural, o turismo exige infraestrutura para receber os visitantes. Em muitos casos, a natureza dá espaço a novos empreendimentos e a destruição ambiental torna-se irreversível. Por isso, em Porto de Galinhas, discutimos e implantamos propostas para amenizar os impactos, conciliando preservação com expansão do turismo.

A partir dessa consciência, surgiram empreendimentos que utilizam práticas sustentáveis, como o reuso da água; construções em áreas estratégicas, não afetando a paisagem natural; e o aquecimento por energia solar. Com essas práticas, um destino melhora a qualidade de vida da população e mantém saudável parceria entre governo, iniciativa privada, terceiro setor e comunidade. Afinal, que visitantes vamos encantar se não olharmos para os anfitriões?

Otaviano é presidente da Associação de Hotéis de Porto de Galinhas
Otaviano é presidente da Associação de Hotéis de Porto de Galinhas

* Formado em Administração de Empresas, Otaviano Maroja é presidente do Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, além de executivo do setor hoteleiro

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