Um manifesto de uma gaúcha sobre tragédias naturais, memória, abandono estrutural e a urgência de reconstruir com dignidade
*Por Waleska Schumacher
Neste momento, eu não consigo escrever sobre vinho.
O mesmo aconteceu comigo durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Naquele momento, a dor me chamou de volta à escrita. Chamei aqueles textos de manifestos de uma gaúcha, porque não nasciam de uma pauta, de uma agenda ou de uma intenção jornalística tradicional. Nasciam de uma urgência interior, de uma visão, de uma memória e de um sentimento.
Agora, diante da Venezuela, sinto algo parecido.
Escrevo não como especialista em desastres naturais, nem como quem pretende organizar todos os dados de uma tragédia ainda em curso. Escrevo como alguém que viveu naquele país por mais de 17 anos, que construiu vínculos, trabalho, amizades, afetos e uma parte importante da própria história. Escrevo também como alguém que entende que falar de “um país” pode ser, muitas vezes, genérico demais. Nenhum país cabe inteiro no seu nome. A Venezuela, como o Brasil, é feita de regiões, paisagens, desigualdades, cidades, montanhas, litoral, famílias e realidades que nem sempre se encontram.


É importante entender que não foi todo o país que sentiu essa tragédia da mesma forma. Foi uma região. A Venezuela sofre, sim, mas cada localidade vive a dor a partir da sua própria realidade, da sua estrutura, do seu medo e da sua forma de sobreviver.
Para quem estava ali, aqueles segundos certamente se tornaram eternos. O tremor passa em segundos, mas dentro da pessoa ele continua por muito mais tempo. Depois vêm as réplicas, os pequenos movimentos da terra, que podem ser menores na escala, mas para quem acabou de viver uma tragédia se tornam gigantescos. Cada barulho, cada rachadura, cada parede que estala, cada movimento estranho volta a abrir o medo.
E ficam também as imagens. Um céu vermelho, que hoje talvez possamos tentar explicar com ciência, registros e informação, mas que, para quem viveu aquele momento, poderia facilmente parecer o apocalipse. Como tantos fenômenos naturais que, no passado, foram interpretados pela fé, pelo medo ou pelo desconhecido. Talvez, em outro tempo, algo assim fosse contado como uma passagem bíblica. Como o mar Vermelho, que para muitos foi milagre e, para outros, talvez um fenômeno que o conhecimento da época não conseguia explicar.
Nessas horas, tudo ganha outro significado. Os cães que ajudaram a encontrar pessoas e salvar vidas passam a ser vistos quase como santos daquele momento. Não santos de igreja, mas símbolos de esperança entre ruínas, poeira e escombros. Para quem esperava um sinal de vida, eles talvez tenham representado a última possibilidade de reencontrar alguém.

É importante entender que não foi todo o país que sentiu essa tragédia da mesma forma. Foi uma região. A Venezuela sofre, sim, mas cada localidade vive a dor a partir da sua própria realidade, da sua estrutura, do seu medo e da sua forma de sobreviver.
Em 2002, por destinos da vida, mudei para a Venezuela. Cheguei anos depois da tragédia de Vargas, hoje estado de La Guaira, quando, em dezembro de 1999, chuvas extremas provocaram deslizamentos, enxurradas e fluxos de lama que devastaram comunidades inteiras da costa central venezuelana. Segundo registros técnicos do U.S. Geological Survey, as chuvas daquele período provocaram milhares de deslizamentos na Cordilheira da Costa e a tragédia deixou um número estimado entre 15 mil e 30 mil mortos. Foi uma das grandes catástrofes naturais da América Latina contemporânea.
Lembro da Venezuela ainda marcada por aquela ferida. Lembro das histórias sobre edifícios, casas, estradas, famílias e vidas arrastadas por pedras, lama e água. Mas lembro também de algo ainda mais doloroso: pessoas que nunca puderam reencontrar seus familiares, bebês que nunca souberam quem eram seus pais, histórias interrompidas de forma tão brutal que nem sempre puderam ser plenamente contadas.
La Guaira sempre esteve, para mim, ligada a essa memória. Um litoral de beleza impressionante, tão próximo de Caracas, tão fundamental para a conexão do país com o mundo, mas também tão vulnerável. A cidade foi estabelecida como principal porto da Venezuela em 1589, criada como proteção para a capital e como porto estratégico. A própria UNESCO registra essa ligação histórica entre La Guaira, Caracas, o porto e o antigo Camino de los Españoles, caminho que ganhou valor estratégico e econômico ao longo dos séculos.
Por isso, La Guaira não é apenas uma região afetada por uma tragédia. É o litoral que conecta Caracas ao mundo, com seu porto, seu aeroporto, sua história e sua vida cotidiana. É também uma área residencial, de trabalho, de passagem e de memória. Pela costa chegaram os colonizadores espanhóis, por ali se formou uma parte importante da história venezuelana, e até hoje aquela faixa estreita entre a montanha e o mar concentra patrimônio, circulação, comércio, turismo local e milhares de vidas.
Muitas pessoas que vivem em La Guaira trabalham na capital ou em negócios ligados ao porto, ao aeroporto, ao comércio e aos serviços da costa. Outras descem de Caracas para passar os fins de semana nas praias, nos clubes, nos apartamentos e nos edifícios de veraneio. Por isso, não consigo deixar de pensar que, se esta fatalidade tivesse acontecido em um sábado ou domingo, o impacto humano poderia ter sido ainda maior. Durante a semana, a região não costuma receber o mesmo volume de visitantes.

Há também uma memória que circula na Venezuela sobre Marcos Pérez Jiménez, ditador que governou o país nos anos 1950 e que deixou grande parte da infraestrutura moderna ainda hoje associada àquela época. A ele se atribui a ideia de que o litoral central não deveria ser ocupado de forma massiva, mas reservado a alguns empreendimentos turísticos e poucas residências, justamente por seus riscos naturais, entre eles os terremotos. Não posso tratar essa frase como documento sem uma fonte direta diante de mim, mas ela revela algo importante: a vulnerabilidade daquele território não é uma descoberta recente. Era conhecida, comentada e, de alguma forma, advertida há décadas.
E talvez isso torne tudo ainda mais doloroso. Porque quando um risco é conhecido, a tragédia deixa de ser apenas destino. Passa também a ser pergunta. O que foi feito com esse conhecimento? Quem planejou? Quem fiscalizou? Quem permitiu? Quem ignorou? Quem pagou o preço?
Eu nunca me senti completamente segura em La Guaira. Não fui parte daquele grupo que gostava de descer para os clubes de praia como programa de fim de semana. Para mim, havia sempre uma sensação difícil de explicar. A Cordilheira da Costa é imponente. No início, ela era apenas isso para mim: imponente. Depois, com o tempo, aprendi a respeitá-la e também a amá-la.
O famoso Ávila, essa montanha que para tantos caraquenhos é lugar de caminhada, contemplação e paz, para mim sempre teve também outro significado. Era aterrissar ao nível do mar e depois cruzar aquela montanha para chegar ao Vale de Caracas, a quase mil metros de altitude. Um caminho bonito, sim, mas também um caminho que, em alguns momentos, dá medo.
São sensações e experiências que talvez só possam ser realmente compreendidas por quem viveu ali. A beleza, naquele lugar, nunca esteve separada da força da natureza.

Agora, mais uma vez, a Venezuela vive uma tragédia profunda. Em 24 de junho de 2026, dois fortes terremotos atingiram o norte do país. A Organização Pan-Americana da Saúde registrou a sequência como dois terremotos consecutivos, de magnitude 7,2 e 7,5, com cerca de 3,9 milhões de pessoas expostas a forte tremor. O evento foi sentido em vários estados, incluindo Miranda, Aragua, Yaracuy, Lara, Mérida, Falcón, Carabobo, La Guaira e o Distrito Capital.
Os números mudam com o passar das horas, como acontece em toda grande emergência. Em relatório posterior, a Organização Pan-Americana da Saúde registrava mais de 920 mortes e 3.360 feridos, com danos severos concentrados no Distrito Capital, La Guaira, Miranda, Carabobo e Yaracuy. La Guaira aparecia como área de desastre e foco das operações de busca e resgate. Já no início de julho, a Reuters registrava ao menos 2.295 mortos, mais de 40 mil desaparecidos e a atuação de jovens voluntários na organização de abrigos para famílias deslocadas.
Esses dados ajudam a dimensionar a tragédia, mas não conseguem traduzir o vazio de quem perdeu uma casa, um filho, uma mãe, um vizinho, um lugar de pertencimento.
Não quero comparar tragédias. Cada dor tem a sua geografia. Cada povo tem a sua forma de sofrer, resistir e recomeçar. Mas, como gaúcha, não consigo deixar de lembrar das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Quando Porto Alegre perdeu grande parte de sua capacidade de deslocamento e o aeroporto ficou inoperante, compreendi ainda mais claramente como a logística, a comunicação, os acessos e a prontidão são decisivos em uma emergência.
A tragédia natural é o acontecimento. A resposta humana é a diferença.
Nesta ocasião, há ainda um aspecto que considero fundamental: a entrada da ajuda humanitária. Ela é importante não apenas porque permite uma resposta mais rápida, organizada e tecnicamente preparada diante da emergência, mas também porque abre uma janela para que o mundo veja, com mais clareza, a real situação da Venezuela.
Durante muitos anos, parte dessa realidade permaneceu difícil de enxergar desde fora. Entre controles, versões oficiais, limitações de acesso e uma vida cotidiana marcada pela resistência silenciosa de milhões de pessoas, a profundidade da crise venezuelana nem sempre pôde ser percebida em toda a sua dimensão. Agora, diante da tragédia, a presença de organismos internacionais, equipes de apoio, imprensa, voluntários e redes de solidariedade torna mais visível aquilo que muitos venezuelanos já viviam há muito tempo: um país profundamente ferido, mas sustentado pela coragem de sua própria gente.

A ajuda humanitária, portanto, não é apenas socorro imediato. É também testemunho. É a possibilidade de salvar vidas agora e, ao mesmo tempo, revelar ao mundo que a reconstrução da Venezuela precisará ir muito além dos escombros deixados pelos terremotos.
É nesse ponto que minha reflexão se concentra. Não basta lamentar a força da natureza.
É preciso perguntar se estamos preparados para recebê-la quando ela chega com violência. É preciso perguntar se nossas cidades são planejadas com responsabilidade. Se nossas construções são fiscalizadas. Se nossas rotas de evacuação existem. Se nossos hospitais funcionam. Se nossos portos, aeroportos, estradas e sistemas de comunicação conseguem operar em situações extremas. Se a ajuda externa, nacional ou internacional, pode chegar com rapidez, coordenação e transparência.
O Rio Grande do Sul, certamente, aprendeu algo. Aprendeu que a catástrofe pode voltar. Talvez volte em intervalos mais curtos do que no passado. A Venezuela também conhece seus riscos. Terremotos não são novidade no país. Muitos edifícios construídos entre os anos 1950 e 1970 ainda estão de pé e passaram por outros tremores. Eu mesma sou testemunha de uma construção antiga, ligada a uma operação da qual ainda faço parte, onde algumas garrafas caíram das prateleiras, algumas rachaduras apareceram, mas a estrutura permaneceu firme. Ao lado, porém, vi imagens de uma construção muito mais recente, com sinais de risco evidente.
Não escrevo isso como laudo técnico. Escrevo como observação de quem conhece aquele lugar e não consegue ignorar a diferença entre estrutura, manutenção e abandono. Em um país desgastado por tantos anos de deterioração institucional, econômica e social, um terremoto não atinge apenas edifícios. Ele atinge um sistema inteiro que já estava fragilizado.
Durante meus 17 anos de Venezuela, vivi uma das etapas mais importantes da minha vida. Conquistei desafios profissionais imensos. Tive a oportunidade de participar do posicionamento do vinho argentino no mercado venezuelano, de apresentar com força a uva Malbec a um país cuja gastronomia, alegria e forma de viver dialogavam tão bem com ela. A Venezuela me deu trabalho, amigos, aprendizado e uma relação afetiva que permanece até hoje.
Por isso, posso afirmar sem hesitar: a Venezuela é um dos países mais lindos que conheci.
É um território de rochas impressionantes, de Caribe profundo, de montanhas dramáticas, de uma gastronomia que fica na memória, de uma intelectualidade intensa, de uma criatividade poderosa e de um povo com uma força rara. Um povo que há anos resiste a uma realidade dura, desigual e muitas vezes invisível para quem olha de fora. Uma realidade que não é igual para todos os venezuelanos, porque as dores sociais também têm escalas, bairros, sobrenomes, oportunidades e ausências diferentes.
Mas ninguém deveria precisar ser tão resiliente por tanto tempo.
Depois de mais de duas décadas de sofrimento, deterioração, migração forçada, perda de profissionais, abandono de estruturas e fragilidade de serviços essenciais, esta catástrofe revela algo que já estava ali. A natureza sacudiu a terra, mas o que caiu não foi apenas concreto. Caíram também ilusões de normalidade.

La Guaira está ferida. Caracas está sofrida. E o povo venezuelano carrega uma dor que não começou agora.
Vejo a comunidade ativa, tentando ajudar, socorrer, alimentar, localizar pessoas, acolher famílias, salvar vidas com as próprias mãos. Isso me comove profundamente.
Reportagens internacionais também registram esse esforço civil, com voluntários jovens organizando abrigos, alimentação, registros de deslocados e apoio básico a famílias que perderam tudo.
Mas também me preocupa. Porque o momento da emergência passa. A atenção internacional passa. As redes sociais mudam de tema. A vida de quem está longe volta ao seu ritmo. E aqueles que perderam tudo continuam ali, diante do impossível.
Algumas famílias talvez não queiram deixar os lugares onde seus mortos ficaram soterrados. Outras talvez não tenham para onde ir. Muitas talvez não consigam sequer compreender que certos territórios precisam ser repensados com ciência, mapas de risco, urbanismo responsável e coragem pública. Não basta reconstruir no mesmo lugar, do mesmo jeito, com a mesma fragilidade. La Guaira precisa ser tratada com a seriedade que sua beleza, sua história, sua função econômica e sua vulnerabilidade exigem.
Não se trata de apagar a cidade. Trata-se de proteger vidas.
Reconstruir não pode significar esquecer. Cada casa perdida, cada rua soterrada, cada família interrompida precisa permanecer como memória coletiva, não para prender o país à dor, mas para impedir que a dor seja tratada como estatística passageira.
A Venezuela precisa de reconstrução, mas não apenas de prédios. Precisa reconstruir confiança, infraestrutura, hospitais, escolas, alimentação, acesso, manutenção, planejamento e futuro. As pessoas, de todos os níveis sociais, merecem possibilidades melhores. Merecem receber alimentos que realmente nutram. Merecem hospitais que funcionem. Merecem educação para escolher livremente seus caminhos. Merecem viver sem que a sobrevivência cotidiana seja sempre uma prova de resistência.
Uma grande leva de venezuelanos deixou o país. Muitos estão espalhados pelo mundo, levando consigo talento, memória, dor e capacidade. A diáspora venezuelana não é apenas consequência de uma crise. Ela também pode ser parte essencial da reconstrução. São profissionais, famílias, empreendedores, médicos, educadores, artistas, técnicos e jovens que carregam a Venezuela consigo e que, de alguma forma, podem ajudar a reconstruir pontes entre o país e o mundo.
Mas essa reconstrução precisa de justiça, transparência, coordenação e compromisso real com as famílias que hoje não têm teto, não têm documentos, não têm notícias, não têm chão.
Hoje, estamos todos voltados para a crise. Mas eu olho também para depois.
Depois que os corpos forem encontrados. Depois que os jornalistas forem embora. Depois que a comoção diminuir. Depois que as doações emergenciais deixarem de chegar.
Depois que o mundo voltar a falar de outra coisa.
O que faremos com essas famílias?
Vamos voltar à nossa vida normal e deixar que elas se virem?
É talvez aqui que eu, como profissional do vinho, consiga encontrar uma forma de transformar a impotência em ação.
O vinho sempre reuniu pessoas. Ao redor de uma garrafa, criamos conversa, escuta, encontro, memória e comunidade. Por isso, proponho que profissionais do vinho, sommeliers, jornalistas, importadores, produtores, restaurantes, escolas, confrarias e amantes do vinho, em qualquer lugar do mundo, se unam a mim na criação de degustações humanitárias em apoio à Venezuela.

Não apenas agora, no momento mais visível da crise, mas principalmente depois.
Porque a emergência passa. As câmeras vão embora. As redes sociais mudam de assunto. Muitos voltam às suas rotinas. Mas quem perdeu a casa, a família, o trabalho, os documentos, a cidade e o chão continua precisando de ajuda.
Que cada taça possa se transformar em uma contribuição. Que cada encontro possa lembrar uma vida. Que cada degustação possa alimentar, reconstruir, acolher ou manter viva a atenção sobre famílias que não podem ser esquecidas.
Que essas iniciativas sejam organizadas com responsabilidade, transparência e destino claro, apoiando instituições sérias, verificáveis e presentes no território, para que a solidariedade não se perca no caminho e chegue, de fato, às famílias que mais precisam.
Este manifesto nasce da dor, mas gostaria que ele terminasse com um convite.
Que o mundo do vinho, tão acostumado a falar de território, origem, clima, solo e humanidade, olhe agora para um território ferido e para um povo que precisa ser amparado.
A Venezuela me deu muito. Hoje, convido quem puder a devolver um pouco, com presença, solidariedade e ação.
Como gaúcha, sei que a água pode levar uma cidade ao limite. Como mulher que viveu na Venezuela, sei que aquele país tem uma beleza que não cabe nas notícias. Como alguém que ama La Guaira, Caracas e tantas pessoas que ainda estão ali, não consigo olhar para esta tragédia apenas como um evento natural.
A terra tremeu. Mas o que ela revelou precisa ser escutado.
*Por Waleska Schumacher – Haia, Países Baixos – 2 de julho de 2026
Fontes consultadas
- U.S. Geological Survey, estudo sobre a tragédia de Vargas e os deslizamentos de dezembro de 1999 na Venezuela.
- UNESCO, lista indicativa da cidade de La Guaira, com registro de sua importância histórica como principal porto da Venezuela desde 1589.
- Organização Pan-Americana da Saúde, relatórios de situação sobre os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela, publicados em junho e julho de 2026.
- Reuters, cobertura sobre o avanço dos números de mortos, feridos, desaparecidos, abrigos, voluntários e operações de resgate após os terremotos na Venezuela.
- Le Monde, cobertura sobre a resposta comunitária e a mobilização civil após os terremotos na Venezuela.
- Al Jazeera, cobertura sobre os terremotos de 24 de junho de 2026 e a declaração de emergência na Venezuela.




