Passageiros de um voo da EasyJet com destino a Londres passaram por um susto depois que a aeronave precisou desviar sua rota e pousar em Roma, na Itália, por conta de um carregador portátil deixado na bagagem despachada. O caso reacende o debate sobre os riscos das baterias de íon-lítio durante viagens aéreas.
REDAÇÃO DO DIÁRIO
O voo havia partido de Hurghada, no Egito, tradicional destino turístico às margens do Mar Vermelho. Segundo informações divulgadas pela companhia aérea à CNN, a tripulação foi avisada de que um passageiro havia deixado um dispositivo eletrônico conectado a uma bateria externa dentro da mala despachada.
Após receber o alerta, o comandante decidiu alterar a rota da aeronave como medida preventiva. O avião pousou em Roma na noite de terça-feira (19), cerca de três horas e meia após a decolagem.
Em comunicado enviado à imprensa, a EasyJet explicou a decisão: “o comandante tomou a decisão de desviar o voo como medida de precaução, em conformidade com os regulamentos de segurança”.
A empresa também reforçou que “a segurança de seus clientes e tripulantes é a maior prioridade da EasyJet, e a empresa opera sua frota de aeronaves em estrita conformidade com todas as diretrizes dos fabricantes”.
Regras para power banks ficam mais rígidas
O episódio acontece em um momento em que autoridades e companhias aéreas ampliam as restrições ao transporte e ao uso de carregadores portáteis durante os voos.
Em março, a Organização da Aviação Civil Internacional implementou novas limitações para power banks. Entre as regras, cada passageiro pode transportar no máximo dois carregadores portáteis, além da proibição de recarregar esses dispositivos durante o voo.
Algumas empresas já adotaram medidas ainda mais rígidas. A Singapore Airlines proibiu totalmente o uso de carregadores portáteis para recarregar aparelhos eletrônicos durante as viagens.
Já a Southwest Airlines passou a exigir que passageiros mantenham os carregadores visíveis enquanto estiverem em uso.
Incêndios preocupam autoridades da aviação
As restrições cresceram após uma série de incidentes envolvendo baterias de íon-lítio. Na Coreia do Sul, por exemplo, o governo proibiu que passageiros armazenem carregadores portáteis e cigarros eletrônicos nos compartimentos superiores das aeronaves.
A decisão veio depois de um incêndio registrado em um avião da Air Busan, em janeiro de 2025, que deixou três pessoas feridas. O Ministério dos Transportes sul-coreano informou que uma bateria portátil estava entre as possíveis causas do fogo.
As baterias de íon-lítio estão presentes em celulares, notebooks e diversos equipamentos eletrônicos. Quando sofrem danos, superaquecimento ou sobrecarga, podem desencadear uma reação chamada fuga térmica, aumentando o risco de fumaça e incêndio.
Dados da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) mostram que foram registrados 563 incidentes relacionados a fumaça, calor extremo ou fogo envolvendo baterias de íon-lítio em voos entre março de 2006 e fevereiro de 2026. Desse total, 230 ocorrências tiveram relação direta com baterias portáteis.
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