A atividade da hospedagem se reformata a passos largos. Cama e café da manhã de qualidade não são mais apenas o mote principal do bem receber. Em palestra no 37º Encatho & Exprotel, que acontece até esta quinta-feira (13), no CentroSul, em Florianópolis (SC), o tema abriu a série de debates do evento, promovido pela ABIH-SC.
por Cecília Fazzini, de Florianópolis (SC), especial para o DIÁRIO
Peter Kutuchian, fundador e CEO do jornal Hoteliernews, com quase 30 anos de experiência no setor da hotelaria, e André Victória da Silva, criador do Hospitality Metrics, consultor com 40 anos de trabalho na atividade, dividiram o palco para abordar o tema: “O Fim da hotelaria como conhecemos”. O painel discutiu tendências atuais, já presentes na rotina da hospitalidade.
André Silva ressaltou que o hotel no conceito contemporâneo se tornou um ecossistema aberto – não se restringe a vender somente hospedagem. Essa plataforma contempla, no entender do executivo, quatro competências essenciais: ser rentável, humana, territorial e flexível.

Novos conceitos, na prática
Ser rentável é extrapolar as convencionais fontes de renda do hotel, que experimenta ganho crescente com a gastronomia redimensionada, eventos, experiências e, entre outras, conexão com varejo, a exemplo do que já acontece com marcas consagradas da moda internacional que transitam pelo ambiente hotel. Peter Kutuchian apresentou cases de hotéis que intensificam o uso de suas estruturas, como o Roosevelt, na capital paulista, o LK Florianópolis e Novotel Morumbi.
A faceta da humanização foi assinalada pelos dois palestrantes a partir da identificação de demandas culturais, acolhimento, propósito, desenvolvimento, pertencimento e desejo crescente de potencializar a experiência. “O hotel não é nada sem os colaboradores independente da categoria, o luxo não substitui o sorriso do atendente”, sintetizou o CEO do Hoteliernews. Destacou a relevância do treinamento e valorização de pessoal, pontualidade e superar expectativas e se antecipar à demanda. E citou como um dos exemplos o hotel Belmond Cataratas, em Foz do Iguaçu, para demonstrar que luxo precisa estar agregado à melhor acolhida.
André e Peter foram muito enfáticos, ainda, na importância da conexão do hotel com a região onde está instalado, refletir a vocação do lugar e integrar-se ao território. Peter fez referência ao Ibiti Projeto, hotel localizado no Parque Estadual de Ibitipoca, em Minas Gerais, como experiência de hospedagem raiz, luxo associado à essência do lugar. “Territorialismo puro, porque o hóspede emerge na experiência”, frisou ao ser complementado por André, para quem tudo pertence da capacidade do empreendimento de valorizar o que a região tem de melhor.
Para o consultor, a flexibilização, por sua vez, torna o hotel um espaço multiuso, com tecnologia embarcada e inovação contínua. Acentuou que na concepção dos processos já está desenhada essa mudança contínua.
*A jornalista Cecília Fazzini viajou convidada pela organização da Encatho & Exprotel com Seguro Viagem GTA




