A queda do voo 171 da Air India, ocorrida segundos após a decolagem em Ahmedabad, na Índia, continua cercada de controvérsias. Enquanto a investigação oficial avança, especialistas, pilotos e familiares das vítimas questionam as conclusões preliminares e cobram mais transparência no processo.
DA REDAÇÃO com agências internacionais e Reuters
Em 12 de junho de 2025, o voo 171 da Air India partiu de Ahmedabad com destino a Londres transportando 230 passageiros e 12 tripulantes. Apenas 32 segundos após a decolagem, o Boeing 787 Dreamliner caiu. Apenas um ocupante sobreviveu. Outras 19 pessoas morreram em solo.
As imagens registradas por câmeras do aeroporto mostram uma decolagem aparentemente normal. No entanto, a aeronave deixa de ganhar altitude e começa a perder sustentação antes de desaparecer atrás de prédios. Pouco depois, uma explosão seguida de uma grande coluna de fumaça revelou a dimensão da tragédia.
Air Índia: relatório preliminar gera controvérsia
A investigação é conduzida pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos da Índia (AAIB), com participação de especialistas dos Estados Unidos, incluindo representantes da Boeing, da GE Aerospace e da FAA.
O relatório preliminar divulgado pela AAIB não apontou uma causa definitiva para o acidente. Entretanto, dois trechos provocaram forte repercussão. Segundo os dados de voo, os interruptores que controlam o fornecimento de combustível dos motores passaram da posição de funcionamento para corte poucos segundos após a decolagem.
O documento também relata que um piloto perguntou ao outro por que teria realizado o procedimento, recebendo como resposta que não havia feito isso. Sem identificar os interlocutores ou divulgar a transcrição completa, a informação alimentou especulações sobre uma possível ação deliberada na cabine.
A reação foi imediata. Entidades de pilotos e especialistas em segurança aérea criticaram o relatório, argumentando que ele abriu espaço para conclusões precipitadas sem apresentar provas conclusivas.
Air India: falha técnica ou ação humana?
Entre as hipóteses debatidas está a possibilidade de uma falha elétrica grave ter provocado o desligamento dos sistemas da aeronave. Defensores dessa tese afirmam que os computadores poderiam ter interpretado, de forma equivocada, que o avião ainda estava no solo, acionando automaticamente mecanismos de proteção dos motores.
Outro ponto questionado envolve a turbina de emergência RAT (Ram Air Turbine), que apareceu acionada logo após a decolagem. Advogados que representam familiares das vítimas sustentam que o funcionamento desse equipamento pode indicar problemas anteriores ao suposto corte de combustível registrado pelo sistema.
Documentos analisados pela imprensa também apontam que a aeronave havia registrado ocorrências elétricas nos anos anteriores. A Air India afirma que todos os reparos seguiram os procedimentos aprovados pela Boeing e que o avião estava apto para operar.
Air India e a pressão sobre Boeing e autoridades
O caso ocorre em um momento delicado para a Boeing. O Dreamliner possuía histórico de segurança considerado exemplar até o acidente de Ahmedabad. Já a Air India, controlada pelo grupo Tata desde 2022, tenta recuperar sua imagem após anos de dificuldades financeiras e operacionais.
Especialistas afirmam que investigações dessa magnitude enfrentam desafios crescentes devido à participação simultânea de governos, fabricantes e companhias aéreas. Críticos alertam que o modelo atual pode gerar conflitos de interesse ou ao menos a percepção de falta de independência.
A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) já aprovou mudanças nas regras de investigação de acidentes, buscando ampliar a transparência e permitir maior participação de organismos independentes. As novas normas entrarão em vigor a partir de 2028.
Enquanto isso, familiares das vítimas seguem aguardando respostas definitivas. A expectativa é que a autoridade indiana apresente uma atualização oficial do caso, embora poucos especialistas acreditem que ela seja capaz de encerrar as dúvidas que ainda cercam uma das maiores tragédias da aviação recente.




