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Brasileiros no Oriente Médio vivem tensão e deixam área de guerra após ataques entre EUA, Israel e Irã

O que era para ser apenas o retorno de uma viagem transformou-se em uma experiência marcada por tensão, incerteza e medo. Um grupo formado por 11 cearenses e um pernambucano permanece em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após o cancelamento repentino de seu voo com destino a Lisboa, conexão para Fortaleza.

REDAÇÃO DO DIÁRIO com fontes internacionais e G1

A suspensão ocorreu depois que o Irã lançou mísseis e drones contra Israel, em resposta a um ataque coordenado realizado pelos Estados Unidos e pelo governo israelense. O confronto ampliou o estado de alerta em diversas nações do Oriente Médio, incluindo países que abrigam bases militares americanas.

Espaço aéreo fechado e caos no aeroporto

O grupo chegou ao aeroporto de Dubai por volta das 10h da manhã (horário local) para embarcar às 14h30 rumo a Lisboa. Menos de uma hora antes da decolagem, veio o anúncio: todo o espaço aéreo da região estava fechado por tempo indeterminado.

Sem informações concretas e com voos sendo cancelados em sequência, o aeroporto rapidamente se transformou em um cenário de apreensão. Estima-se que cerca de 20 mil passageiros tenham sido evacuados ou remanejados após a suspensão das operações.

Os brasileiros precisaram refazer o processo de imigração, retirar as bagagens e aguardar orientações durante aproximadamente 12 horas. O cansaço físico se somava ao desgaste emocional.

Durante a saída do terminal, um estrondo forte assustou o grupo. Posteriormente, eles souberam que trabalhadores do aeroporto haviam ficado feridos após um incidente provocado pelo contexto dos ataques na região.

Mísseis no céu e alerta de bombardeio

No trajeto até o hotel disponibilizado pela companhia aérea, relatos apontam que mísseis e drones foram vistos sendo interceptados no céu — uma cena que muitos só conheciam por imagens televisivas.

Ao chegar ao hotel, um novo alerta de possível bombardeio intensificou o clima de pânico. Hóspedes tentaram buscar abrigo em áreas subterrâneas, mas a movimentação foi contida pela equipe do local. Apesar do susto, o ataque não se concretizou naquela área.

“Estamos em um estado de transe”, relatou um dos empresários do grupo. A sensação predominante é de insegurança e impotência diante da falta de previsões sobre quando poderão retornar ao Brasil.

Aeroporto de Dubai (Crédito: arquivo DT)

Outros brasileiros e estrangeiros deixam a região

O caso do grupo em Dubai não é isolado. Autoridades consulares brasileiras confirmaram que cidadãos que estavam em viagem por Israel e Emirados solicitaram orientação emergencial.

Em Tel Aviv, capital econômica de Israel, brasileiros relataram corridas a abrigos antiaéreos após o disparo de sirenes. Hotéis próximos ao centro financeiro reforçaram protocolos de segurança e orientaram hóspedes a permanecerem em áreas protegidas.

Já em Teerã, capital do Irã, cidadãos europeus e asiáticos buscaram rotas terrestres alternativas para deixar o país, diante da instabilidade aérea e do risco de novos bombardeios. Empresas multinacionais iniciaram a retirada de funcionários estrangeiros, principalmente norte-americanos e britânicos.

Em Doha, no Catar, viajantes relataram tensão após explosões serem ouvidas nas proximidades de instalações militares. Embora o espaço aéreo tenha sido parcialmente reaberto, diversas companhias mantêm cancelamentos preventivos.

Também no Bahrein e no Kuwait, governos recomendaram que estrangeiros evitem deslocamentos desnecessários, enquanto missões diplomáticas organizam possíveis repatriações.

Turismo internacional sob impacto direto

A escalada do conflito entre Irã, Israel e aliados amplia o impacto para além da esfera militar. O setor de turismo internacional já sente reflexos imediatos: voos redirecionados, pacotes cancelados e redes hoteleiras ativando protocolos de emergência.

Para brasileiros que estavam na região a lazer ou negócios, o retorno transformou-se em uma operação complexa. A ausência de previsibilidade é o fator que mais angustia os viajantes.

Enquanto governos avaliam novos desdobramentos e a diplomacia internacional tenta conter a escalada, passageiros seguem aguardando remarcações e orientações oficiais.

 

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