A expansão do mercado de cannabis no Brasil ganha força com mais de 1 milhão de pacientes em tratamento e novas regras da Anvisa, abrindo espaço para investimentos em setores como agronegócio, indústria, bioeconomia e pesquisa. A expectativa é reforçada pela ExpoCannabis Brasil 2026, que ocorrerá entre 20 e 22 de novembro, em São Paulo.
O mercado de cannabis no Brasil vive um momento de consolidação, impulsionado pelo avanço da regulamentação, pelo crescimento da cannabis medicinal e pelo interesse de investidores. Durante o lançamento da ExpoCannabis Brasil 2026, na última semana, realizado no Consulado-Geral do Uruguai em São Paulo, especialistas apontaram que a planta começa a estruturar uma cadeia produtiva que vai além do setor farmacêutico, alcançando áreas como construção civil, cosméticos, agronegócio, medicina veterinária, bioeconomia e pesquisa científica.
Os dados apresentados pela Kaya Mind reforçam esse cenário. Em junho deste ano, o Brasil superou a marca de 1.012.887 pacientes recorrentes em tratamento com cannabis medicinal, distribuídos por mais de 5 mil municípios. Somente no primeiro semestre de 2026, o segmento movimentou mais de R$ 470 milhões.
Para o CEO da Kaya Mind, Thiago Cardoso, o mercado atingiu um ponto de inflexão. “Hoje alcançamos um marco histórico. Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou 1 milhão de pacientes em tratamento com cannabis medicinal.” Segundo ele, o potencial ainda é muito maior. “Estimamos que o Brasil tenha capacidade para chegar a cerca de 6,9 milhões de pacientes utilizando medicamentos à base de cannabis.”
Cannabis no Brasil avança com nova regulamentação
Especialistas atribuem parte desse crescimento às recentes resoluções da Anvisa, que atualizaram as regras para produtos derivados de cannabis, regulamentaram o cultivo controlado de plantas com até 0,3% de THC para fins medicinais e farmacêuticos e ampliaram as possibilidades de pesquisa científica.
Para a pesquisadora da Embrapa, Daniela Bittencourt, o desafio agora é desenvolver toda a cadeia produtiva. “Não basta plantar. Precisamos desenvolver toda a cadeia, da semente ao produto final.” Ela destaca que a cannabis pode contribuir para políticas públicas ligadas à bioeconomia, agricultura sustentável, recuperação de áreas degradadas, inovação tecnológica e mitigação das mudanças climáticas.

ExpoCannabis destaca potencial industrial da planta
Com o tema “Para Além da Planta”, a ExpoCannabis Brasil 2026 pretende evidenciar o potencial econômico da cannabis em diferentes segmentos. Em mercados onde o cânhamo é regulamentado, suas fibras abastecem as indústrias têxtil e da construção civil, enquanto sementes, folhas e flores têm aplicações na alimentação, cosméticos, biocombustíveis e indústria farmacêutica.
A CEO da ExpoCannabis Brasil, Larissa Uchida, afirma que o país reúne condições para assumir protagonismo internacional. “Queremos mostrar que a cannabis é muito mais do que uma planta. Ela representa uma oportunidade de transformar diversas indústrias e de abrir novos horizontes para o Brasil.”
A programação inclui o Cannabis Business Hub, em 18 de novembro, voltado a investidores e empresários, além da feira, entre 20 e 22 de novembro, no São Paulo Expo, com fóruns, congresso científico, workshops e espaços de debate sobre inovação, ciência e negócios.
A experiência do Uruguai também foi destacada como referência para o desenvolvimento do mercado brasileiro. Primeiro país a regulamentar integralmente a cannabis, o país consolidou uma indústria baseada em segurança jurídica, pesquisa e exportação. Para Mercedes Ponce de León, cofundadora da Latinnabis e da ExpoCannabis Uruguay, Brasil e Uruguai possuem características complementares para impulsionar esse novo mercado. “O Brasil possui escala, talento e enorme potencial de crescimento. O Uruguai oferece experiência, conhecimento e uma trajetória consolidada.”




