O DIÁRIO DO TURISMO se posiciona pelo respeito à reeleição de Lula, pela defesa das instituições democráticas e por uma política econômica que associe direitos sociais, inovação, investimento produtivo e responsabilidade tributária
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, pela maioria dos votos válidos nas eleições de 2026, renova sua responsabilidade de governar para todos os brasileiros. O DIÁRIO DO TURISMO reconhece a legitimidade da decisão das urnas e defende seu cumprimento, a estabilidade institucional e a continuidade das políticas públicas que apresentem resultados para a sociedade. Respeitar a soberania popular é um compromisso permanente com a democracia, cuja preservação exige liberdade de expressão, fiscalização dos governantes e respeito ao direito de oposição.
CONSELHO EDITORIAL DO DIÁRIO
A relação entre Executivo e Legislativo será decisiva nesse processo. A presença de forças de oposição no Congresso exige negociação e capacidade de construir convergências. Fiscalizar despesas, discutir prioridades e cobrar resultados são atribuições parlamentares indispensáveis. O país, contudo, precisa de acordos que permitam enfrentar seus problemas econômicos e sociais. O turismo oferece um campo concreto de cooperação, porque movimenta estados e municípios administrados por diferentes partidos e conecta investimentos públicos, iniciativa privada e trabalho.
Os números dimensionam essa responsabilidade. Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil registrou 9.287.196 chegadas de turistas internacionais em 2025, o maior volume da série histórica. O resultado representa crescimento de aproximadamente 37,1% sobre 2024, quando foram contabilizados cerca de 6,77 milhões de chegadas. Portanto, o país já havia ultrapassado a referência de 6,5 milhões anteriormente; em 2025, avançou para um patamar superior, que amplia as possibilidades de participação brasileira no mercado mundial de viagens.
Esse movimento tem expressão econômica mensurável. Em 2025, os visitantes internacionais deixaram US$ 7,865 bilhões na economia brasileira, aumento de 7,1% sobre o ano anterior, segundo dados do Banco Central divulgados pela Embratur. Esses recursos circulam em hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços. O ingresso de divisas justifica reconhecer os avanços do setor e cobrar políticas que ampliem a permanência dos visitantes, a distribuição dos gastos e a participação dos fornecedores locais na receita gerada.
Os indicadores de 2026 reforçam a importância dessa agenda. Entre janeiro e setembro, o Brasil ultrapassou 7 milhões de chegadas internacionais, das quais mais de 4,9 milhões ocorreram por via aérea, crescimento de 9,7% nessa modalidade em relação ao mesmo período de 2025. Já os gastos dos visitantes estrangeiros somaram aproximadamente US$ 7,4 bilhões entre janeiro e agosto, conforme divulgação do Ministério de Portos e Aeroportos baseada no Banco Central. São períodos e indicadores distintos, mas ambos demonstram a dimensão econômica alcançada pela atividade.
Na abertura do BTM Brazil Travel Market, em Fortaleza, acompanhada pelo jornalista Paulo Atzingen, editor deste DIÁRIO, o presidente da Embratur, Bruno Reis, destacou o planejamento que antecede esses resultados. “O turista não cai de paraquedas no Brasil”, afirmou. A observação sintetiza o trabalho de promoção, inteligência de mercado e negociação necessário para conquistar visitantes e ampliar rotas aéreas. Reconhecer a contribuição das políticas públicas é tão necessário quanto reconhecer o trabalho das empresas e dos profissionais que recebem esses viajantes.
A continuidade desse crescimento depende também de investimentos em tecnologia. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê cerca de R$ 23 bilhões para o período de 2024 a 2028, destinados a infraestrutura, formação profissional, inovação e aplicações da tecnologia. Trata-se de uma previsão de investimento, cuja execução precisa ser acompanhada. Para o turismo, defendemos que essa agenda alcance pequenos empreendimentos, com ferramentas de gestão, acessibilidade, atendimento, comercialização e análise de demanda, acompanhadas de capacitação e proteção dos dados dos usuários.
Atrair novas empresas e ampliar a indústria de transformação também deve integrar a estratégia de desenvolvimento. Há instrumentos concretos nessa direção: o Brasil Semicon moderniza o apoio à cadeia de semicondutores, com incentivos e medidas voltadas à produção, pesquisa e inovação. O DIÁRIO defende estímulos tributários transparentes, associados a compromissos verificáveis de investimento, empregos, qualificação e desenvolvimento de fornecedores nacionais. A instalação de unidades produtivas e centros tecnológicos pode, adicionalmente, favorecer viagens corporativas, feiras, congressos e a demanda por serviços nos municípios que os recebem.
A garantia de direitos sociais precisa caminhar com o fortalecimento da economia na base da pirâmide. Saúde, educação, proteção social e trabalho digno devem ser acompanhados por crédito acessível, assistência técnica e oportunidades para microempreendedores, cooperativas e pequenos negócios. No turismo, isso significa criar condições para que guias, artesãos, produtores rurais, comerciantes, restaurantes e meios de hospedagem locais participem efetivamente do crescimento. A qualidade do desenvolvimento deve ser medida também pela renda que permanece nas comunidades e pela capacidade de ampliar sua autonomia econômica.
Incentivar a produção exige, simultaneamente, fiscalização rigorosa da arrecadação e dos benefícios concedidos. A Receita Federal informa que o adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido busca assegurar tributação efetiva mínima de 15% para grupos multinacionais enquadrados nas regras, com receita anual consolidada igual ou superior a 750 milhões de euros em pelo menos dois dos quatro anos fiscais anteriores. O instrumento integra o esforço internacional de enfrentamento à erosão da base tributária e deve ser acompanhado de capacidade técnica, transparência e cooperação entre administrações fiscais.
Essa fiscalização deve alcançar grandes grupos econômicos, conglomerados de comunicação e bigtechs segundo critérios técnicos, sem privilégios decorrentes de influência política ou poder de mercado.
Essa fiscalização deve alcançar grandes grupos econômicos, conglomerados de comunicação e bigtechs segundo critérios técnicos, sem privilégios decorrentes de influência política ou poder de mercado. Defendemos o combate à sonegação, à ocultação de patrimônio e às transferências artificiais de lucros utilizadas para reduzir indevidamente a tributação, inclusive por estruturas em paraísos fiscais. Remessas legais ao exterior e investimentos internacionais regulares precisam ser distinguidos de operações ilícitas. A apuração deve seguir evidências, assegurar o direito de defesa e responsabilizar os infratores, preservando a concorrência e os recursos que financiam serviços públicos.
O DIÁRIO DO TURISMO se posiciona pelo respeito à reeleição de Lula, pela defesa das instituições democráticas e por uma política econômica que associe direitos sociais, inovação, investimento produtivo e responsabilidade tributária. Os avanços do turismo justificam reconhecimento e elevam as obrigações do governo que continuará à frente do país. Esperamos diálogo com o Legislativo, isonomia e lisura do poder judiciário, avaliação dos incentivos, combate aos ilícitos e continuidade das ações eficazes. O resultado a perseguir é concreto: mais oportunidades de trabalho, empresas capazes de produzir e inovar e maior participação da população na riqueza gerada.




