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Quatro perguntas a Taleb Rifai, secretário geral da OMT

Redação do DIÁRIO

O turismo mundial registrou em 2015 um recorde de 1.184 bilhão de chegadas internacionais, exatos 4,4% a mais em relação ao ano anterior; cerca de 50 milhões de viajantes adicionais, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT).

“Trata-se, segundo Taleb Rifai, secretário geral da OMT, do sexto exercício consecutivo de crescimento superior à média, com um aumento das chegadas internacionais de 4% a mais a cada ano desde 2010, depois da crise econômica”, afirmou Rifai, em email ao DIÁRIO.

O aumento de 5% dos desembarques de turistas internacionais nos destinos das economias avançadas superou os das economias emergentes (4%), graças, sobretudo, aos excelentes resultados da Europa, que liderou o crescimento em termos absolutos e relativos. “Os resultados não foram iguais em todos os destinos devido a uma flutuação forte dos diferentes câmbios, a baixa dos preços do petróleo e outros produtos básicos, o que fez com que aumentasse a disponibilidade de ingressos de recursos nos países importadores, retraindo a economia dos exportadores”, analisou Taleb.

“Além disso, a questão da segurança se aprofundou, criando uma crescente preocupação, principalmente após os atentados em Paris e na Turquia”, afirmou. Acompanhe abaixo, a entrevista:

DIÁRIO – Taleb, como o senhor analisa a questão da segurança no mundo diante das ameaças terroristas?

TALEB RIFAI – Não queremos que o pânico e o medo tomem conta das pessoas pois é justamente isso que os terroristas querem que aconteça. Precisamos seguir com nossa vida, e viajar é uma parte importante dela. Não defendemos em afrouxar as medidas de segurança, mas pedimos que não se imponham restrições à circulação das pessoas, pois do contrário estaremos regredindo após um longo percurso de conquistas das liberdades individuais…

Mesmo assim, a pujança da Europa registrou 609 milhões de turistas em 2015, cerca de 29 milhões de crescimento a mais de passageiros. Só não cresceu mais em parte pela debilidade do euro frente ao dólar com a recuperação da economia americana…

Só trabalhando em conjunto poderemos aumentar a resiliência do setor do turismo, reduzir o risco de danos e perdas, e acelerar a recuperação – e, finalmente, garantir o crescimento sustentado do nosso setor e de sua contribuição para o crescimento econômico, criação de emprego e desenvolvimento.

“Só trabalhando em conjunto poderemos aumentar a resiliência do setor do turismo, reduzir o risco de danos e perdas, e acelerar a recuperação – e, finalmente, garantir o crescimento sustentado do nosso setor e de sua contribuição para o crescimento econômico, criação de emprego e desenvolvimento”

DIÁRIO – Outra questão que vem preocupando muito o senso comum mundial é a questão ambiental. Qual é o posicionamento da OMT diante das mudanças climáticas?

TALEB RIFAI – O Turismo é tanto um vetor como uma vítima do câmbio climático e, como tal, o setor pode desempenhar um papel fundamental na luta contra o câmbio climático mediante a resolução de consumo de energia e de alternativas ao uso das fontes de energia renováveis, especialmente no setor de transportes e de habitação (hotelaria). O estudo realizado pela OMT e o Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep) também mostra que o turismo é um dos setores nas melhores condições para apoiar a transformação da economia verde. Durante a última Assembléia Geral realizada em Medellin (Colômbia), um fórum de alto nível entre nossa organização e a Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci) que se centrou em como pode o turismo e o trabalho do transporte aéreo melhorarem para fazer frente aos atuais desafios globais, especialmente no que se refere às mudanças climáticas. Aprovamos, neste fórum, a Declaração de Medellin, sobre Turismo e Transporte Aéreo.

Na Cúpula do Clima, foi adotado o primeiro acordo global para diminuir o aquecimento desencadeado pelo homem com suas emissões de gases (Foto: www.rtve.es)
Na Cúpula do Clima, foi adotado o primeiro acordo global para diminuir o aquecimento desencadeado pelo homem com suas emissões de gases (Foto: www.rtve.es)

DIÁRIO – E o que resultou?

TALEB RIFAI – Levamos a Declaração de Medellin para a Cúpula do Clima, em Paris, em dezembro passado e contribuímos com o acordo mundial, um pacto mundial para minimizar os câmbios climáticos. Na Cúpula do Clima, foi adotado o primeiro acordo global para diminuir o aquecimento desencadeado pelo homem com suas emissões de gases. O pacto abriu um caminho. Os esforços que são feitos agora sobre o assunto não são suficientes para impedir o aumento da temperatura, no entanto o resultado é que todos os países (200) que firmaram o acordo deverão limitar suas emissões, ainda que os envolvidos tenham que fazer um maior esforço e mobilizar 100 bilhões de dólares anualmente.

DIÁRIO – A OMT definiu recentemente sua Carta de Metas para 2030. Quais são as principais metas que se definiram?

TALEB RIFAI – O mandato da OMT como organismo especializado das Naçoes Unidas para o turismo é assegurar que o turismo contribua a uma sociedade mais sustentável e inclusiva. Para o ano de 2030, segundo nossas previsões, chegaremos a 1.8 bilhões de desembarques de turistas internacionais; hoje temos 1.1 bilhões. Nossas prioridades são assegurar que o turismo seja prioritário nas agendas políticas a nível nacional e local, aumentar a competitividade do setor mediante a promoção de questões fundamentais como a facilitação das viagens (incluem-se aí vistos e conectividade aérea), a cooperação público-privada e assegurar que o turismo seja uma força para o bem-estar das pessoas no planeta.

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