Em coletiva de imprensa acompanhada pelo DIÁRIO DO TURISMO nesta quarta-feira (2), em São Paulo, a Atrio anunciou um novo posicionamento de marca e a ampliação de sua atuação no mercado de hospitalidade. Com 38 anos de atuação, a companhia projeta que a receita dos empreendimentos de seu portfólio supere R$ 1,3 bilhão em 2026.
REDAÇÃO DO DIÁRIO
Presente em 18 estados, com 108 propriedades e 14.386 apartamentos administrados, a Atrio deixa de se apresentar apenas como uma administradora hoteleira e passa a oferecer soluções de ponta a ponta. O modelo integra três pilares considerados estratégicos pela empresa: desenvolvimento imobiliário, marcas e gestão.
O reposicionamento foi apresentado por Roberto “Beto” Caputo, CEO, diretor-presidente e cofundador da Atrio; Paulo Mélega, vice-presidente; e Gabriel Fumagalli, diretor de Marketing e cofundador da Xtay. A mudança inclui um método proprietário, uma estrutura tecnológica integrada e uma nova identidade visual, acompanhada da assinatura “Hospitalidade que performa”.
“A gente deixa de ser apenas uma operadora hoteleira, que estava escrito no nosso nome, mas nós não éramos. A gente já fazia muito mais. E vira Atrio, um ecossistema de performance em hospitalidade”, afirmou Caputo durante a coletiva.
Segundo Fumagalli, o novo posicionamento dá nome a uma estrutura construída ao longo dos últimos anos e evidencia a entrega pretendida pela companhia. “Antes, nós nos nomeávamos pelo que fazíamos: administrávamos hotéis. Agora, nós nos nomeamos por aquilo que entregamos, que é performance em hospitalidade”, explicou.
Da incorporação à solução de ponta a ponta
Fundada em Santa Catarina, em 1988, a Atrio nasceu com atuação ligada à incorporação e à administração de empreendimentos hoteleiros. Na apresentação, a empresa dividiu a construção de sua base atual em cinco movimentos, iniciados pelo período em que definia o produto, construía e entregava o ativo.
Em seguida, a parceria com a Accor trouxe escala por meio da operação de bandeiras internacionais sob franquia. A terceira etapa foi marcada pelo avanço sobre hotéis independentes. Depois vieram as novas linhas de negócio, com multipropriedade e estadas de curta duração, além do desenvolvimento de marcas próprias e de projetos de branded residences.
Agora, a empresa estrutura essas competências em uma solução integrada. A frente imobiliária envolve a assessoria a proprietários, investidores e incorporadores desde a concepção do empreendimento. O pilar de marcas busca identificar a bandeira mais adequada para cada ativo e praça, enquanto a gestão reúne a implantação e a operação do negócio.
“Passamos 38 anos executando. Agora, estruturamos esse conhecimento em método, oferecendo ao mercado a solução completa: desenvolvimento imobiliário, marcas e gestão sob a mesma lógica. Acreditamos que hospitalidade deve performar como um sistema, entregando qualidade nos hotéis e cuidado com os colaboradores”, declarou Caputo.
Para a companhia, o modelo também responde a uma mudança estrutural no mercado. A avaliação é que a contratação e a administração separadas do ativo imobiliário, da marca e da operação podem aumentar a fragmentação e reduzir a eficiência dos empreendimentos.
“A gente volta a investir com mais ênfase no mercado imobiliário, aproveitando esse novo momento do desenvolvimento hoteleiro no Brasil, muito focado novamente no mercado de capitais. A Atrio se sente muito bem posicionada, com toda a experiência que carregou nesses anos de desenvolvimento imobiliário, gestão hoteleira e criação de marcas”, acrescentou o executivo.
Portfólio de 15 marcas e novas operações
O reposicionamento organiza sob a Atrio um portfólio de 15 marcas, distribuídas por perfil de empreendimento. No segmento upscale, estão LK Design Hotel, Montissi, Villa do Vale Boutique Hotel e Grand Mercure. A categoria midscale contempla Novotel, Mercure, K-Platz Hotel e Aēra. No econômico, aparecem ibis, ibis Styles, ibis budget, Himmelblau e Xtay. Completam o ecossistema Livá e Livá Residences.
A parceria com a Accor permanece como um dos alicerces da estratégia. Segundo os executivos, a Atrio continuará investindo na operação de marcas internacionais, inclusive em mercados primários e no segmento premium. O objetivo é oferecer bandeiras do econômico ao premium, além de opções próprias para diferentes modelos de ativo.
A Aēra foi desenvolvida como uma marca lifestyle voltada principalmente à conversão de hotéis existentes. A bandeira já possui dois empreendimentos em operação e prevê a abertura de uma terceira unidade até o fim de 2026. A Xtay passa a integrar o portfólio da Atrio como opção de smart hotel, enquanto a Livá atua em multipropriedade, resorts, lazer e branded residences.
“O portfólio cobre do econômico, lifestyle ao premium, com a marca certa para cada ativo. Esse movimento inclui a incorporação da marca Xtay, que passa a integrar o portfólio da Atrio como sua opção de smart hotel”, afirmou Fumagalli.
Entre os marcos de 2026 está a abertura, em julho, do Grand Mercure São Paulo Pinheiros, que representou a estreia da Atrio na capital paulista. O empreendimento é uma conversão e, segundo a companhia, simboliza a lógica integrada que passa a ser oferecida ao mercado.
No mesmo mês, a empresa assumiu em Campo Grande um complexo com três bandeiras da Accor, formado por ibis budget, ibis e Novotel. A operação marcou a chegada da Atrio à capital de Mato Grosso do Sul e foi apresentada como a maior conversão já realizada pela companhia nesse formato. Outro movimento anunciado foi a ampliação da presença no Rio de Janeiro com o Aēra Copacabana.
“Em julho, a Atrio estreou na capital paulista com a abertura do Grand Mercure São Paulo Pinheiros, a entrada no principal mercado hoteleiro do País. O hotel simboliza o novo momento: um ativo de conversão, operado sob a lógica integrada que a companhia agora leva ao mercado”, afirmou Mélega.
De acordo com o vice-presidente, as movimentações ajudam a sustentar a projeção financeira apresentada pela empresa. “Com as recentes movimentações, a empresa estima encerrar 2026 com receita dos empreendimentos em portfólio acima dos R$ 1,3 bilhão”, declarou.

Método próprio, tecnologia e alimentos e bebidas
Uma das bases da nova fase é o Método Atrio, framework proprietário que organiza o conhecimento acumulado pela empresa em dez frentes de trabalho voltadas à geração de receitas e à eficiência. O método acompanha a jornada do empreendimento desde a assessoria no desenvolvimento até a operação e a evolução contínua do ativo.
A companhia também estruturou o AOS, sigla para Atrio Operating System, uma camada tecnológica que reúne mais de 20 soluções utilizadas nas operações. A proposta é unificar dados, processos e equipes, ampliar a automação e oferecer uma visão mais transparente do desempenho dos empreendimentos aos investidores.
“Qualquer negócio hoje vive com um ecossistema de tecnologia muito fragmentado. Isso traz um desafio enorme para que os negócios sejam eficientes e automatizados, e o acesso aos dados com inteligência artificial acaba sendo uma premissa básica”, afirmou Fumagalli.
De acordo com o diretor, a integração pretende reduzir a complexidade operacional e permitir que as equipes concentrem mais atenção nos empreendimentos, colaboradores e hóspedes. “O AOS é uma camada de tecnologia que incorpora mais de 20 tecnologias utilizadas na companhia para unificar dados, processos e pessoas, para que a gente tenha uma visão única do negócio e leve mais eficiência à ponta”, explicou.
Outra área que ganhou peso foi a de alimentos e bebidas. A Atrio opera mais de 80 restaurantes em hotéis e projeta terminar 2026 com R$ 350 milhões movimentados pelo segmento, valor equivalente a quase 30% da receita das operações hoteleiras.
Em 2022, conforme os números apresentados por Mélega, alimentos e bebidas movimentava R$ 145 milhões e respondia por 21% da receita. No mesmo intervalo, o número de hotéis com conceitos estruturados de gastronomia passou de seis para 35. Além das bandeiras hoteleiras, a companhia opera dez marcas relacionadas ao segmento.
“Alimentos e bebidas passou a ser uma área importante, gerida de forma intencional pela Atrio. Trouxemos um gestor corporativo para a atividade, e isso fez com que a área ganhasse uma representatividade muito grande dentro da empresa”, afirmou Mélega.
O vice-presidente também ressaltou o papel das mais de 3 mil pessoas que trabalham nos hotéis administrados pela companhia. Segundo ele, o modelo procura equilibrar os interesses dos colaboradores que sustentam a operação, dos clientes que geram receita para os empreendimentos e dos investidores que esperam retorno dos ativos.

Novo logotipo traduz os pilares da Atrio
A nova fase ganhou uma identidade visual atualizada. O símbolo tradicional foi preservado, mas passou por uma modernização e recebeu um tom dourado, escolhido para reforçar as ideias de performance e geração de valor.
A construção do logotipo reúne três significados. O primeiro está no movimento ascendente da composição, que remete ao crescimento e simboliza performance, evolução e geração contínua de valor. O segundo aparece na área interna do símbolo, desenhada no formato da letra “A”, inicial de Atrio e elemento criado para tornar a marca mais essencial e reconhecível.
O terceiro significado está no triângulo formado pelo símbolo. Seus três pontos representam Imóvel, Marca e Operador, as três frentes que passam a ser apresentadas de maneira integrada para oferecer soluções completas em hospitalidade.
“A nossa marca herda todo esse histórico. O ícone permanece, honrando essa história de construção, mas passa a ter um visual mais moderno e mais ligado a este novo momento da companhia”, afirmou Fumagalli. “A Atrio tem um DNA de inovação muito forte, e entendemos que o novo logo representa isso.”
A assinatura “Hospitalidade que performa” reforça a proposta de transformar ativos em empreendimentos mais eficientes e rentáveis. Para a Atrio, o desempenho deve ser acompanhado por uma relação transparente, auditável e alinhada entre a companhia, os proprietários e os investidores.
“A proposta é simples: a Atrio performa quando o ativo do investidor performa”, concluiu Caputo.




