Ronaldo Albertino, da Hotel Care, faz prognósticos do setor: “a regra vai ser fechar as contas no zero a zero”

Quando iremos retomar a normalidade da atividade econômica, em especial as atividades hoteleiras? 

por Paulo Atzingen*


Uma recente enquete do Bradesco BBI (Banco de Investimento da Organização Bradesco) aponta que a Bolsa vai se valorizar até o fim do ano, mas a recuperação da economia será bem gradual. Dos 100 representantes das principais gestoras de recursos do País (leia-se investidores), ouvidos entre os dias 30 de março e 1º de abril, 57% dos participantes da pesquisa acreditam que só haverá desaceleração significativa do contágio do coronavírus no mundo a partir do final de maio. Cerca de 30% disse que isso pode acontecer até o fim de abril.

O DIÁRIO ouviu o diretor da Hotel Care, Ronaldo Albertino  que fez um prognóstico do setor hoteleiro no curto, no médio e a longo prazo. Ronaldo é especialista em criação, desenvolvimento, implantação e operação de marcas hoteleiras. Sem respostas prontas, mas com muito senso analítico, Ronaldo diz que a hotelaria em geral – do econômico ao luxo – modificará sua maneira de se portar, em especial sua relação com o cliente: 

“Primeiro, a hotelaria se portará da forma totalmente diferente do que vinha se portando até agora. O que eu quero dizer é que nós vamos rever custos, nós vamos rever procedimentos, nós vamos rever tecnologia, tecnologias que estavam ainda embrionárias terão que chegar o mais rápido possível para o front, para a batalha e, acima de tudo, o relacionamento com o cliente vai mudar”, diz.

Segundo ele, o cliente vai procurar quem agrega valor em alguma ação específica que tenha um envolvimento específico e que não seja limitado ao business. “Agora é hora de acelerar! Colocar a equipe em treinamento e “ensaiar” para a entrada da nossa audiência. Não é à toa que a Disney chama a equipe de Cast members e os clientes de Guests”, compara.

Ronaldo afirma que é preciso gerenciar a continuidade dos negócios. Segundo ele, a crise tem três fases: a fase de encontrar respostas urgentes, a fase de recuperação, com foco nas áreas críticas a fase da sustentação, para planejar a volta à normalidade em um novo contexto de mercado.

Ensaios constantes

Para Ronaldo, parar ou diminuir as atividades não significa dormir: “As perspectivas  de curto-médio-prazo, ao meu ver são as seguintes; curto é parar, mas não dormir, médio prazo, esquentar as turbinas e rever todos os procedimentos para poder abrir as portas e ninguém sabe quanto tempo vai demorar, ninguém fala em quanto tempo, mas a minha opinião pessoal e da nossa equipe é que nós temos que fazer ensaios constantes, como se tivéssemos operando e tentar buscar a maior produtividade possível e o menor custo possível com a maior rentabilidade possível para compensar esses dias parados”, analisa.

“Ou seja, nós temos que correr atrás dos dias parados para poder acumular no ano o zero a zero. A perspectiva é chegar no final do ano no zero a zero como vitória, se for possível ganhar algum dinheiro é excepcionalidade, a regra vai ser fechar as contas no zero a zero.

Dados, análises, estudos

Para o consultor e administrador de empresas a resposta virá com o trabalho e dedicação, com planejamento profissional e transparência. “Sem dados, sem análises criteriosas, sem descortinar o que está por trás dos números, dificilmente teremos respostas coerentes e verdadeiras para o que vem pela frente”, prognostica.

Sem inércia

De acordo com ele, um novo patamar de energia deve ser empregado nestes momentos e, certamente, a inércia não é favorável a nada e nem a ninguém, é só perda de energia. “Minha avó dizia que “cabeça vazia é morada do diabo”, não discordo dela e acrescentaria que sem meta, não vou atingir nada, vou ficar na mesma. A não ser que você ache que estava bom antes, satisfeito com os resultados financeiros, sociais, familiares e pessoais, frutos do seu trabalho”, desafia.


Quem é Ronaldo Albertino?

Atuando há 38 anos em cargos de liderança em empresas nacionais e internacionais, entre as quais a Best Western, Bourbon, Caesar Park, Fundação Autolatina, Hilton, Hotelaria Brasil, IHG (Holiday Inn), Meliã, Meridien, Posadas, Westin entre outras.

Participou no desenvolvimento, implantação e pré-operação de mais de 30 projetos hoteleiros no Brasil e exterior.

Ex-Professor de graduação e pós no SENAC CEATEL, com cursos de especialização na ISAE/FGV.

Especialista em criação, desenvolvimento, implantação e operação de marcas hoteleiras, entre elas Caesar Business, Matiz Hotéis, Superhotel e Rio Hotel by Bourbon;

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