InícioBlog do DiárioA Cara do Brasil - por Andrea Nakane*

A Cara do Brasil – por Andrea Nakane*

Infelizmente o trágico acidente que culminou com vítimas fatais e outras feridas decorrentes do desabamento de parte da ciclovia da Avenida Niemeyer demonstra a fragilidade do país frente a circunstâncias  da falta de comprometimento, respeito e profissionalismo do poder público.

Essa obra, considerada como um dos mais valorizados legados sustentáveis da cidade olímpica, foi inaugurada há pouco mais de três meses e pretendia-se criar um novo atrativo de lazer, destinados não só aos nativos,mas também para os turistas, que teriam uma das mais impactantes vistas da orla carioca.

A ideia de ter sido batizada com o nome do lendário intérprete e compositor Tim Maia era justamente transformar sua música, do Leme ao Pontal, em realidade, ampliando o trajeto de ciclovia que já existia no Rio de Janeiro, do aterro do Flamengo, Enseada de Botafogo, Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, chegando a São Conrado com continuidade a Barra da Tijuca, totalizando futuramente mais de 7 quilômetros dessa alternativa de transporte.

No dia que acende-se a chama da tocha olímpica, em Olímpia, na Grécia,o Rio de Janeiro, sede dos jogos olímpicos de verão, em contagem regressiva para receber o maior evento mundial de esportes, está de luto pelas vidas que foram ceifadas e pela total insegurança com as obras que foram ou ainda estão em construção, em uma rapidez para honrar prazos, mas pelo jeito desdenhando outros atributos.

E assim estamos caminhando para o ponto alto do pódium da vergonha com que a administração pública e por osmose outros atores da iniciativa privada tratam o nosso suado dinheiro…

Vale lembrar da situação do Estádio Olímpico João Havelange, mais conhecido como Engenhão, interditado há cerca de seis anos, já que após a sua inauguração em 2007 constatou-se ter gravíssimos problemas estruturais em sua cobertura.

Não podemos esquecer também da Vila do Pan, construída para acolher os atletas dos Jogos Pan-Americanos de 2007, e que depois teve os apartamentos vendidos para milhares de novos proprietários, e que por profundos erros de projetos ocasionaram crateras gigantes e acabaram por gerar inúmeros problemas aos seus novos inquilinos e proprietários.

Há também a Cidade da Música, conhecida como o Elefante Branco da Música, que foi construída a toque de caixa para tornar-se  a mais moderna sala de concerto do Estado,  e que foi alvo de críticas pelo próprio arquiteto responsável, com denúncias de superfaturamento e falhas de execução.

E nem vamos falar dos  vários trechos do BRT e de outros trechos das ciclovias da cidade que também constataram problemas de finalização, com as pistas esfarelando semanas depois de inauguradas. Dá para imaginar a qualidade do material empregado nas obras.

E aí, a máxima popular se confirma:  os valores gastos não podem ser considerados como investimentos e sim gastos, já que há trabalho redobrado, fomentando a necessidade de maior aporte financeiro para reorganizar o caos, demonstrando claramente, que o dinheiro público continua sendo tratado de forma amadora, irresponsável e nada humana.

E assim estamos caminhando para o ponto alto do pódium da vergonha com que a administração pública e por osmose outros atores da iniciativa privada tratam o nosso suado dinheiro, oriundo de uma absurda tributação, que nos demanda muitos sacrifícios e quase nenhum benefícios.

* Andrea Nakane é professora, empreendedora e diretora do Mestres da Hospitalidade

Matérias relacionadas

Compartilhe essa matéria com quem você gosta!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique por dentro das notícias de turismo do DT!

Assine nossa newsletter e confira.




    Enriqueça o Diário com o seu comentário!

    Participe e leia opiniões de outros leitores.
    Ao final de cada matéria, em comentários.

    Matérias em destaque