A boa mesa tem lugar de honra em terras sul-mato-grossenses. Desde os primórdios da comida consumida pela comitiva pantaneira e dos pratos típicos à base de pescado preparados pelas comunidades ribeirinhas ao paladar que se refina com a carne de jacaré elevada à categoria da alta gastronomia, tudo vale a pena por lá.
Por: Cecília Fazzini, especial para o DIÁRIO DO TURISMO
O destino turístico de Bonito (MS) é prova viva do quanto a culinária é, por si só, fator de peso para cativar o visitante. O DIÁRIO DO TURISMO testemunhou restaurantes lotados, chefs entusiasmados na elaboração dos cardápios e inquietos em aderir ao novo, sem jamais perder a identidade do jeito genuíno e local de elaborar os alimentos.
Três nomes se destacam como defensores do DNA da cozinha em Bonito. À frente de seus restaurantes, eles circulam pelo salão dos estabelecimentos, conversam com os clientes, explicam a origem dos ingredientes que dão personalidade aos pratos e selecionam fornecedores com olhos de lince. São eles: Juanita Maria Palmieri Battilani (do Juanita Restaurante), João Roza Viscaino (da Casa do João) e Sylvio Trujillo (do Bacuri Cozinha Regional).

Carne de jacaré, do frigorífico à mesa
Sob a batuta de Juanita, Bonito conta com uma defensora da comida com toque de tradição e requinte no menu. O ‘croquete de mandioca com recheio de carne seca’, clássica entrada servida no local, convive com a inovação que atrai as atenções dos clientes, como a porção de ‘língua de jacaré crocante’. O ‘pacu na brasa’ é o líder entre os pratos pedidos. A proprietária do Juanita Restaurante, dona de peculiar simpatia e que frequentemente percorre as mesas, lembra o cuidado com a procedência da matéria-prima, a exemplo da carne de jacaré, adquirida em porções e versões variadas do frigorífico de grande porte Caimasul, parceiro localizado em Corumbá (MS). “Acompanhamos de perto a produção, manejo, controle de qualidade, pureza da água utilizada no manuseio, logística, entre outros procedimentos”, salienta a empresária, que preza pela segurança e critério do que leva para a panela.

Cardápio versátil e aprimoramento constante
Com visão de negócio e um jeito eclético de compor a oferta em seu restaurante, João comanda a Casa do João, onde oferece, no amplo salão com mais de um ambiente, pratos e porções generosas, com destaque para as estrelas da carta: ‘pintado à urucum’, ‘pintado ancestral’ e o ‘pirararucu da chef Léo’. Tem orgulho do ‘filé à parmegiana’, que leva a assinatura da casa. De acordo com ele, “paulista come e diz que não encontra igual em São Paulo”. O ‘arroz carreteiro’ homenageia a comida de comitiva, preparado com carne de sol curada na cozinha da casa. O cardápio muda com regularidade, uma tendência em seu restaurante, confirma o empresário, que tem o filho como chef, confiando à nova geração a missão de aprimorar os pratos, hoje, no total de 18 opções, fora entradas e sobremesas.

Inspiração que se rende às raízes locais
Sylvio é um aficionado confesso pela cultura e culinária pantaneiras. Conduz o restaurante Bacuri como se regesse uma orquestra e cuida para que costumes e história locais temperem os pratos. “O gado e o homem no Pantanal são indivisíveis, sentimento que deu origem à vocação para a pecuária local”, salienta ele. No Bacuri, a carne, de procedência atestada pelo proprietário, surge em opções como o ‘filé manteado’ e ‘cupim de colher’. O pescado se apresenta no ‘sashimi do piloteiro’, na ‘piraputanga (peixe símbolo de Bonito) com legumes grelhados’ e no ‘pintado ao molho urucum’, este uma versão mais contemporânea. Há destaque, ainda, no menu para a ‘chipa guazú’, versão requintada da sopa paraguaia (comida típica apresentada não na forma líquida, mas como uma espécie de torta assada de milho e queijo).


Crédito: DT
- @juanitarestaurante
- www.juanita.com.br
- @casadojoaorest
- www.casadojoao.com.br
- @bacuricozinharegional
- bacuricozinharegional.com.br
*A repórter viajou a Bonito a convite da LATAM Airlines Brasil e com assistência de viagem da Assist Card.




