Rano Raraku: a fábrica de moais da Ilha de Páscoa

15 ANOS DIARIOS – Publicado dia 13 de agosto de 2017

Por Paulo Atzingen (de Angaroa, Ilha de Páscoa)

Entender a forma como as estátuas da Ilha de Páscoa foram lapidadas e distribuídas pelo território da Ilha tem sido um exercício de vários ramos da ciência, um enigma até hoje não completamente desvendado. No entanto, já se sabe que a procedência dessas esculturas gigantes, a linha de montagem dessas estátuas era o vulcão Rano Raraku na região leste da ilha.

Ao nos aproximarmos da montanha em parte de pedra, em parte de terra, conclui-se que se trata de um, se não o mais importante sítio arqueológico daqui. O local é tão cultuado e bem cuidado pelos Rapa Nui (Nativos) que ao carimbarmos o ticket para esta atração dos Parques Nacionais (uma espécie de passaporte para todos os atrativos da ilha que custa 60 dólares com validade para 10 dias) temos que utilizar essa entrada no mesmo dia sem direito a retorno.

Rano Raraku contém o maior número de estátuas por metro quadrado da ilha e em sua área também se encontra as estátuas de maior tamanho. É importante dizer que existem estátuas de todos os tamanhos e inúmeras inacabadas. De acordo com o guia de turismo Roberto Rinco, da empresa Mahinatur, esse abandono se deu em função de uma guerra civil entre os povos da ilha no século XVII.

“Acreditamos que este moai ia sair daqui do canteiro e iria percorrer 20km na costa sul, para chegar a sua plataforma", afirma Roberto Rinco
“Acreditamos que este moai iria sair daqui do canteiro e iria percorrer 20km na costa sul, para chegar a sua plataforma”, afirma Roberto Rinco

Ancestrais

“Rano Raraku representa o lugar onde fica as estátuas de nossos ancestrais e onde eram lapidadas, polidas e transportadas.Essas estátuas representavam cada uma das pessoas que faleceram na época dos antepassados. Em memórias deles, fizeram esses monumentos para adoração de sua memória e diziam que eles, assim, poderiam ressuscitar, naquele contexto”, afirma Roberto Rinco. No sítio arqueológico Rano Raraku existem exatos 397 moais.

 

Roberto explica que esta montanha de pedra foi utilizada por diversas gerações de Rapa Nui e cada uma com sua peculiaridade. “Ocorreram diversas fases. No princípio fizeram moais menores e com o tempo foi transformando o tamanho dos moais. O moai maior que temos tem 21.65 m, conhecido como Tetukang e tem mais ou menos um 200 toneladas de peso”, quantifica.

A linha de montagem das estátuas era o vulcão Rano Raraku na região leste da ilha
A linha de montagem das estátuas era o vulcão Rano Raraku na região leste da ilha

Lapidadas

Segundo o Rapa Nui, as peças eram lapidadas e depois transportadas por largas distâncias até suas plataformas. “Acreditamos que este moai ia sair daqui do canteiro e iria percorrer 20km na costa sul, para chegar a sua plataforma. Este, por exemplo, nunca saiu de seu canteiro de origem em função de uma guerra civil que ocorreu na ilha, por volta de 1688 entre os Kote Mata Iti e os Kote Mata Nui”, conta.

Todos os moais estão colocados de frente para o interior da ilha e de costas para o mar no sentido de proteger seus povoados e seus habitantes
Todos os moais estão colocados de frente para o interior da ilha e de costas para o mar no sentido de proteger seus povoados e seus habitantes

O que são os Moais?

O nome completo das estátuas gigantescas que encontramos por esta ilha de 163,6 quilômetros quadrados é Moai Aringa Ora, que significa “rosto vivo dos ancestrais”. Estes gigantes de pedra fora feitos pelos Rapa Nui para representar seus ancestrais, governantes ou antepassados importantes, que depois de mortos teriam a capacidade de estender seu poder espiritual sobre a tribo, para protege-la.

 

As pessoas mais prósperas, ordenavam construir um moai como uma maneira de honrar ao parente falecido. Depois de vários meses de trabalho duro, o moai percorria seu caminho até chegar ao seu altar de pedra preparado para recebe-lo. Era erguido acompanhado de uma grande celebração.

 

Todos os moais estão colocados de frente para o interior da ilha e de costas para o mar no sentido de proteger seus povoados e seus habitantes.

* O DIÁRIO DO TURISMO – viajou a convite do grupo Transoceânica (Chile), com a cobertura do seguro GTA, comunicação ChatSim e apoio JoãoAraújo Promoção

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Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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