As principais companhias aéreas da Europa manifestaram preocupação com uma proposta em análise na União Europeia que pode ampliar os custos ambientais sobre a aviação internacional. Segundo as empresas, a medida poderá encarecer passagens aéreas e o transporte de cargas, afetando passageiros e negócios em todo o continente.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Reuters
O debate ocorre em meio à revisão do Sistema de Comércio de Emissões (ETS, na sigla em inglês), mecanismo europeu que obriga setores econômicos a adquirir permissões para emitir gases de efeito estufa. Atualmente, as regras são aplicadas apenas aos voos realizados dentro do espaço europeu, mas Bruxelas avalia expandir a cobrança para rotas internacionais que partem da União Europeia.
Setor aéreo se posiciona contra ampliação
Em carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, executivos de algumas das maiores companhias aéreas do continente pediram que a proposta seja reconsiderada.
O documento foi assinado por dirigentes de grupos como Air France-KLM, Lufthansa, IAG, controladora da British Airways, Ryanair, easyJet, AirBaltic e TUI, entre outras empresas do setor.
Na avaliação das companhias, a ampliação da cobrança de carbono para voos fora do Espaço Econômico Europeu pode gerar aumento de custos operacionais e impactar diretamente o valor das tarifas.
“Expandir a precificação de carbono da União Europeia para voos fora do Espaço Econômico Europeu (EEE) penalizará ainda mais passageiros e empresas europeias ao aumentar o custo das passagens aéreas e do transporte de cargas”, afirmaram os executivos.
Debate ocorre durante encontro global da aviação
A manifestação das empresas acontece enquanto líderes da indústria aérea participam, no Rio de Janeiro, da reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), um dos principais fóruns mundiais do setor.
As companhias argumentam que a proposta europeia pode enfraquecer iniciativas globais voltadas à redução das emissões da aviação, especialmente o CORSIA, programa coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O sistema internacional prevê que as empresas compensem o crescimento das emissões provenientes de voos internacionais por meio da compra de créditos de carbono. Entretanto, diferentemente do ETS europeu, o programa não estabelece metas obrigatórias de redução absoluta das emissões.
“Qualquer ampliação do ETS da União Europeia prejudicará a legitimidade do CORSIA”, destaca a carta.
Comissão Europeia defende revisão
A Comissão Europeia, por sua vez, sustenta que a ampliação do sistema pode criar condições mais equilibradas de concorrência entre as companhias aéreas.
Segundo Bruxelas, a mudança evitaria que empresas focadas em voos de curta distância sejam prejudicadas em relação às que operam rotas internacionais mais longas.
Além disso, autoridades europeias demonstram dúvidas sobre a capacidade do CORSIA de promover, sozinho, a descarbonização do transporte aéreo global.
Um estudo elaborado para a Comissão Europeia em 2021 concluiu que o programa da ONU teria impacto limitado na redução das emissões e poderia não ser suficiente para atender às metas climáticas estabelecidas pelo bloco europeu.
Possíveis impactos para passageiros
Caso a proposta avance, especialistas do setor avaliam que parte dos custos adicionais tende a ser repassada aos consumidores, elevando o preço das passagens internacionais.
O debate reflete o desafio enfrentado pela aviação mundial: reduzir sua pegada de carbono sem comprometer a competitividade das empresas e a acessibilidade do transporte aéreo para passageiros e mercados internacionais.




