Quem pretende conhecer Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, de carro precisa incluir mais uma etapa no planejamento da viagem. Desde 31 de março, o município voltou a cobrar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), identificada eletronicamente pela placa dos veículos que entram na ilha.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Como não existem cabines ou cancelas para realizar o pagamento no momento da entrada, o motorista precisa acompanhar a cobrança posteriormente. O esquecimento pode resultar em débito pendente e, após o prazo estabelecido pelo município, aplicação de multa.
Pagamento da TPA ainda gera dúvidas entre motoristas
Em setembro, a Prefeitura de Ilhabela anunciou uma campanha para estimular a regularização dos valores da TPA que permanecem em aberto. Segundo a administração municipal, apesar da adesão aos meios automáticos de pagamento, aproximadamente 25% dos usuários que quitam a tarifa ainda recorrem ao boleto bancário.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente aponta justamente o esquecimento entre motoristas que não possuem tags de pagamento como um dos desafios do sistema.
O problema já havia aparecido nos primeiros meses após a retomada da cobrança. Em maio, 6.295 veículos apresentavam pendências relacionadas à taxa. Naquele momento, 164.319 veículos já haviam passado pelos pontos de identificação desde o início da operação, conforme dados divulgados pela Prefeitura de Ilhabela.
Para Pedro Hermano, CEO do Pedágio Eletrônico, sistemas sem cancelas exigem que o motorista adquira novos hábitos depois de circular por locais com cobrança eletrônica.
“Quando existe uma cancela, o motorista sabe imediatamente que precisa realizar um pagamento. Em sistemas eletrônicos, essa etapa deixa de ser física e passa a acontecer no ambiente digital. Por isso, é importante que o usuário saiba que existe uma cobrança, onde consultá-la e tenha um meio simples para realizar o pagamento. Caso contrário, algo que deveria trazer praticidade pode acabar sendo esquecido”, afirma.
Quanto custa a Taxa de Preservação Ambiental de Ilhabela?
A TPA é uma cobrança municipal destinada ao financiamento de ações de conservação, manutenção e preservação ambiental de Ilhabela. Por isso, não deve ser confundida com os pedágios cobrados nas rodovias de acesso ao litoral norte paulista.
A taxa é cobrada uma vez a cada entrada do veículo no município, independentemente do período de permanência do visitante na ilha.
A identificação ocorre eletronicamente pela placa, sem necessidade de parar o veículo. O valor depende da categoria: motocicletas pagam R$ 10; carros de passeio, utilitários e kombis, R$ 48; vans e caminhões, R$ 70; micro-ônibus, R$ 100; e ônibus, R$ 140.
Veículos registrados em Ilhabela ou São Sebastião e veículos oficiais de órgãos públicos contam com isenção automática. Quem chega à ilha a pé ou de bicicleta também não está sujeito à cobrança.
Os motoristas que não utilizam sistemas automáticos devem acompanhar a situação da placa após entrar na cidade. De acordo com a Prefeitura de Ilhabela, o prazo para quitar a TPA é de até 30 dias.
Depois desse período, o débito pode gerar multa de R$ 100, além da cobrança do valor original da taxa correspondente ao tipo de veículo.
Aplicativos ajudam a acompanhar a cobrança
Além dos meios disponibilizados para pagamento da TPA, os motoristas podem recorrer a plataformas digitais para acompanhar cobranças eletrônicas.
Uma delas é o Pedágio Eletrônico, desenvolvido pela Movvia, empresa do Grupo Pumatronix. No caso de Ilhabela, a plataforma permite cadastrar a placa e utilizar uma carteira digital com saldo destinado ao pagamento da taxa.
Para utilizar o serviço, o motorista cria gratuitamente uma conta, cadastra o veículo e acrescenta saldo à carteira, preferencialmente antes da viagem. Com recursos disponíveis, as cobranças relacionadas à placa podem ser visualizadas e pagas pela própria plataforma, que também envia a confirmação e o comprovante por e-mail.
É possível cadastrar mais de um veículo na mesma conta, compartilhar um único saldo entre eles e receber lembretes sobre cobranças pendentes. O serviço também reúne passagens de Free Flow de concessionárias integradas, entre elas Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), Concessionária Novo Litoral (CNL) e Via Campo.
“Um dos objetivos da carteira é justamente reduzir a necessidade de o motorista lembrar individualmente de cada cobrança depois de uma viagem. Em Ilhabela, ele pode deixar saldo disponível e acompanhar a TPA pela própria placa. Isso se torna especialmente útil para quem administra mais de um veículo ou também circula por rodovias com Free Flow”, explica Hermano.
TPA de Ilhabela não é o mesmo que Free Flow da Tamoios
O motorista que segue para Ilhabela também pode encontrar outra cobrança eletrônica antes de embarcar para a ilha.
No Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios (SP-099), no sentido de São Sebastião e Ilhabela, existe cobrança de pedágio pelo sistema Free Flow, que dispensa praças tradicionais e identifica os veículos eletronicamente.
Embora os dois sistemas utilizem tecnologia semelhante, as cobranças têm finalidades distintas. O Free Flow da Tamoios corresponde a um pedágio rodoviário, enquanto a TPA é uma taxa municipal destinada à preservação ambiental de Ilhabela.
Assim, pagar o pedágio da rodovia não significa quitar a taxa ambiental, e vice-versa. O visitante precisa verificar separadamente as duas cobranças durante a viagem.
Prefeitura já alertou para golpes envolvendo a taxa
A cobrança digital também exige cuidado para evitar fraudes. Em maio, a Prefeitura de Ilhabela divulgou um alerta depois de identificar sites falsos e mensagens enganosas relacionadas ao pagamento da TPA.
A orientação é desconfiar de links recebidos por mensagens ou encontrados em páginas de procedência desconhecida. Antes de realizar qualquer pagamento, o turista deve confirmar se está utilizando um canal autorizado e conferir atentamente os dados do destinatário e da cobrança.
“À medida que cobranças pela placa se tornam mais comuns, o motorista precisa incorporar um novo cuidado à viagem: identificar os ambientes legítimos de consulta e pagamento. Simplificar essa jornada e tornar os canais oficiais mais reconhecidos é importante não apenas para reduzir esquecimentos, mas também para aumentar a segurança do usuário”, conclui Hermano.





