InícioPolíticas de turismoUma brasileira na Lufthansa (terceira parte)

Uma brasileira na Lufthansa (terceira parte)

“Queremos sempre agradar o passageiro o máximo possível, mas depende muito do jeito que ele pede… 

Por Solange Galante*

 

Trabalhando como aeromoça há mais de 15 anos para a companhia aérea alemã Lufthansa, Cristianne De Rose Laforce conta um pouco de como é seu trabalho e porque ela adora a empresa. Esta é a terceira parte dessa história.

Cristianne explicou que na Lufthansa todo comissário e comissária está ganhando um iPad para auxiliar seu trabalho e facilitar seu relacionamento com a empresa. “Não será mais nada em papel.” No iPad – que pertence à Lufthansa – também estão disponíveis informações mais detalhadas sobre cada comissário, como lista de senioridade e idiomas que fala. Assim, ao chegar para o briefing, o purser (chefe de equipe, comissário ou comissária mais experiente e designado para essa função) seguirá a lista de senioridade e indagará do comissário ou comissária escalado para aquele voo sobre onde quer trabalhar no avião (em qual das classes). “A purser vai verificar quais idiomas o comissário fala, no meu caso, além do inglês e alemão, falo português, espanhol, francês e italiano. Se estará a bordo um grupo de 30 italianos na business, por exemplo, apesar de eu poder escolher, será melhor eu ficar nessa classe para atendê-los, no lugar de outro comissário que já tenha escolhido aquela cabine. Será um ganho para todo mundo, para a empresa, comissários e passageiros. Aqui também temos todos os lugares dos passageiros no avião. E como consta do iPad, quando determinado passageiro entra, um brasileiro, por exemplo, já posso ir cumprimentá-lo tratando-o pelo nome. Quando eu vou para São Paulo ou para o Rio, eu já falo direto com o passageiro em português no avião e ele já se abre todo: ‘Brasileira, que legal!’. Ele, então já se sente quase no Brasil porque tem uma pessoa com quem ele pode falar em português, e a Lufthansa é muito inteligente nisso e em cada voo para o Brasil tem que ter no mínimo dois ou três comissários que falem português.

Fluência no idioma

Quando Cristianne quer ir para seu país natal, pede determinado voo para a escala e, como num semáforo, a resposta pode dar verde, amarelo ou vermelho. “O que conta na Lufthansa são os idiomas, se eu falo português, tenho maior chance para ganhar um voo para o Brasil. Se um comissário não brasileiro gosta de voar para o Brasil, é recomendável ele aprender o idioma, ganhará mais e terá mais chance.”

A fluência nos idiomas é avaliada. Cristianne fez um teste de espanhol na Lufthansa, durando 30 minutos, com uma pessoa de idioma nato (no caso dela, uma pessoa argentina), que perguntou em espanhol como ela aprendeu o idioma etc. “Hoje, já estou liberada do teste por cinco anos, e agora recebo mensalmente um suplemento salarial mensal por falar espanhol.” Agora, ela quer aprender russo.

brasileira lufthansa

Guaraná?

Perguntada sobre como é a visão de uma brasileira trabalhando para uma companhia estrangeira do outro hemisfério, de um país com outra maneira de ser, Cristianne respondeu: “É interessante, são duas culturas completamente distintas, e acho que isso é muito inteligente da Lufthansa, pegar pessoas de diferentes realidades como funcionários, porque temos um olhar para com o passageiro de uma maneira que o colega alemão não tem, por exemplo. Eu me lembro de quando cheguei pela primeira vez à Alemanha, ainda como passageira e ainda sem sequer sonhar em trabalhar para a Lufthansa, pedi à comissária um guaraná. A colega olhou pra mim e respondeu: ‘Guaraná? Não temos.’ Hoje, quando vou à Índia, sei que eles gostam muito de suco de goiaba ou de manga, e eu olho para eles e meu impulso natural seria simplesmente dizer que não tenho, temos laranja, tomate e maçã, mas agora eu digo ‘Eu também adorava suco de manga mas a Lufthansa não serve, podemos tentar misturar maçã com laranja, posso lhe oferecer, assim, algo diferente.’ Agora, na business, a gente tem o suco multivitaminas e quando os passageiros indianos pedem, mesmo na econômica, eu busco lá na business, digo que é uma exceção ‘mas eu trouxe para você’.” Ela faz, ainda, uma confissão: “Queremos sempre agradar o passageiro o máximo possível, mas depende muito do jeito que ele pede… às vezes o passageiro da econômica pede com jeitinho o café expresso da business, enquanto outro simplesmente exige… Tem um ditado alemão que diz ‘Como você grita na floresta, é como vem o eco para você’.”

*Solange Galante é jornalista especialista em aviação

Matérias relacionadas

Compartilhe essa matéria com quem você gosta!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique por dentro das notícias de turismo do DT!

Assine nossa newsletter e confira.




    Enriqueça o Diário com o seu comentário!

    Participe e leia opiniões de outros leitores.
    Ao final de cada matéria, em comentários.

    Matérias em destaque